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Investidores agora trocam Brasil pelos Estados Unidos
Valor Econômico - 09/06/2010 Por Mike Dorning, da Bloomberg
Estratégia: Pesquisa mostra que o mercado americano, que em outubro era considerado o mais arriscado, é visto hoje como o mais promissor nos próximos 12 meses.
Os Estados Unidos superaram a China e o Brasil como mercado mais atraente para os investidores, depois que a confiança na recuperação da economia mundial diminuiu por causa da crise da dívida da Grécia. Os investidores estão direcionando seus investimentos para os EUA, confiando na recuperação da economia do país sob o comando do presidente Barack Obama, mesmo com a queda de um índice do mercado de trabalho. É o que mostra a pesquisa trimestral realizada pela Bloomberg com investidores e analistas.
Quase quatro entre dez profissionais consultados apontaram os EUA como o mercado que deverá apresentar as melhores oportunidades nos próximos 12 meses. Isso é mais que o dobro das pessoas que disseram a mesma coisa em outubro, quando os EUA foram apontados como o mercado que apresentava o maior risco de queda.
Lawrence Summers, diretor do conselho econômico da Casa Branca, disse que isso confirma os esforços de Obama para "restabelecer os fortes fundamentos econômicos dos EUA". Ele acrescentou que, "embora haja muito o que ser feito, a economia dos EUA está crescendo".

"O fundo do poço já passou, estamos firmes e os EUA estão lentamente seguindo em frente", afirmou Wayne Smith, diretor-gerente de negócios de renda fixa da Northeast Securities, de Uniondale, Nova York, que gerencia US$ 3,5 bilhões.
Depois dos EUA, apontado por 39% das pessoas consultadas como o mercado mais promissor, ficou o Brasil, escolhido por 29%, seguido da China, com 28%, e Índia, com 27%. Esses são três dos quatro chamados Bric, o grupo das grandes nações emergentes que também inclui a Rússia. Apenas 6% dos profissionais consultados escolheram a Rússia.
Numa pesquisa realizada em janeiro, a China ficou em primeiro lugar, seguida do Brasil. As pessoas que participaram da consulta puderam escolher entre vários países.
Os EUA são um dos poucos pontos relativamente promissores num mercado global abalado pela crise da dívida grega. Bill Gross, diretor-adjunto de investimentos da Pacific Investment Management e gerente do maior fundo de bônus do mundo, chamou os EUA de "a camisa menos suja".
Quarenta e dois por cento dos investidores agora acreditam que a economia mundial está se deteriorando, o dobro dos 21% que pensavam da mesma forma em janeiro. Os investidores americanos são os que estão mais pessimistas em relação à economia mundial, com 58% deles afirmando que a situação está piorando, ante 31% dos europeus e 35% dos asiáticos.
Os europeus são os mais pessimistas em relação à sua própria região, com 40% vendo uma deterioração da situação. Nos EUA, 21% dos investidores veem o mercado doméstico de maneira negativa, número que na Ásia é de 9%.
A posição dos investidores internacionais em relação à União Europeia se deteriorou bastante. Mais de metade das pessoas que participaram da pesquisa acreditam que a União Europeia oferece as piores oportunidades de investimentos, ante 33% que disseram a mesma coisa no levantamento de janeiro, quando a Europa também ficou no fim da fila.
A crise na Grécia, onde a disparada do déficit fiscal vem alimentando temores de uma moratória do governo, se espalhou pela Europa, com as agências de avaliação de crédito rebaixando as classificações das dívidas soberanas de Portugal e Espanha. Em 4 de junho, as ações caíram depois que um funcionário do governo da Hungria disse que a economia de seu país está numa "situação muito grave", aumentando os temores de uma disseminação da crise.
Na segunda-feira, o governo húngaro prometeu controlar o déficit fiscal e realizar mudanças estruturais para reorganizar a economia, negando sugestões de que o país estaria enfrentando uma crise soberana parecida com a da Grécia.
As turbulências estão direcionando muito dinheiro internacional para os títulos de dívida do governo americano, cujos rendimentos sobre os papéis de 10 anos do Tesouro caíram de 3,99% em cinco de abril para 3,15% na segunda-feira. O índice de ações Standard & Poor ' s acumula uma desvalorização de mais de 13% desde o ponto mais alto, atingido em 23 de abril, mas ele acumula um ganho de mais de 30% desde que Barack Obama tomou posse.
A pesquisa trimestral Bloomberg Global Poll, feita entre investidores, operadores de mercado e analistas de seis continentes, foi realizada em 2 e 3 de junho pela Selzer & Co., uma firma de Des Moines, Iowa. Ela é baseada em entrevistas aleatórias em uma amostra de 1.001 assinantes da Bloomberg. A pesquisa tem uma margem de erro de 3,1 pontos percentuais para mais e para menos.
Mesmo com o pessimismo em relação às perspectivas para a economia mundial, mais investidores veem uma chance de ganhar dinheiro neste ambiente. Trinta e cinco por cento deles disseram que estão vendo oportunidades e assumindo riscos, ante 27% em janeiro. Os investidores asiáticos estão, particularmente, prevendo recompensas à frente, com 48% deles afirmando que estão assumindo mais riscos.
Com os participantes da pesquisa confiantes nas perspectivas de crescimento dos EUA, as dúvidas que estão surgindo em relação à recuperação da economia mundial não estão se traduzindo em grandes mudanças de opiniões em relação às classes de ativos. Na pesquisa de janeiro, as ações foram consideradas a classe de ativos mais atraente para os 12 meses seguintes. Embora as commodities tenham ficado em segundo lugar, a parcela dos investidores que as escolheram caiu de 31% para 23%. (Tradução Mario Zamarian)
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