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Economistas nos EUA preveem expansão lenta e temem crise europeia
Valor Econômico - 10/06/2010 Phil Izzo, The Wall Street Journal
Economistas entrevistados pelo "Wall Street Journal" optaram por manter a previsão de crescimento lento mas estável da economia americana até meados de 2011, apesar da turbulência recente no mercado europeu de títulos soberanos.
Mas essa previsão pode ser atrapalhada pelas preocupações crescentes com a Europa e com a falta de vitalidade do mercado de trabalho dos Estados Unidos.
Em média, os 53 entrevistados da pesquisa mensal do "WSJ" esperam que a economia americana cresça cerca de 3% no segundo semestre e continue nesse ritmo até 2011. Isso significa que a criação de postos de trabalho será tão gradual que o desemprego, agora em 9,7%, continuará alto, em 8,6%, até o fim de dezembro de 2011.
"Os empregos são cruciais para impulsionar a demanda", disse Michael Carey, do Crédit Agricole. "A crise europeia pode ter um impacto negativo no crescimento, por causa das condições financeiras."
O risco de contágio da Europa e outras incertezas levaram os economistas a adiar até fevereiro de 2011 a previsão para o momento em que o Federal Reserve, o banco central americano, vai aumentar os juros. Um mês atrás, eles previam que o Fed mudaria os juros antes do fim do ano.
Dos 53 economistas, 24, o maior número, ou pluralidade, disseram que o maior risco negativo à previsão deles era que a economia sofresse no segundo semestre os efeitos da crise de dívida dos governos europeus, que se espalhou para além da Grécia e motivou uma desconfiança em tudo, da viabilidade do euro à vitalidade dos bancos.
Outros 11 economistas disseram que o maior risco seria o crescimento decepcionante do mercado de trabalho nos EUA, algo crucial para acelerar a recuperação.
Vinte e dois economistas, a pluralidade para esta questão, disseram que um acontecimento que poderia fazer o crescimento exceder suas previsões no segundo semestre seria a expansão da oferta de emprego.
Outros 12 citaram a aceleração do consumo, que é diretamente ligado ao mercado de trabalho. Em média, os economistas preveem que os EUA vão criar cerca de 2,2 milhões de empregos nos próximos 12 meses, bem menos que um terço do total de vagas perdidas desde o início da recessão, em dezembro de 2007.
Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, BC dos EUA), ofereceu garantias cautelosas, em depoimento ao Congresso ontem, de que é improvável o surgimento de uma nova recessão. Disse que o Fed espera que a economia americana cresça a um ritmo anualizado de 3,5% nos próximos meses. Ainda assim, ele foi cauteloso diante dos problemas na Europa e a turbulência recente nos mercados.
"Parece-nos que a recuperação fez uma transição importante, de estar apoiada principalmente pela dinâmica dos estoques e da política fiscal, para uma recuperação liderada pela demanda final do setor privado". Mesmo assim, acrescentou, o retorno à recessão não pode "ser inteiramente descartado". Os economistas da pesquisa acreditam que a chance de a recessão voltar é de apenas 19%.
Os economistas - na maioria americanos - enxergam em média uma chance de 75% de que a Grécia não conseguirá pagar suas dívidas como prometido e terá de entrar em moratória ou reestruturá-las, apesar do pacote de socorro oferecido por outros países europeus e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os economistas acreditam que a chance de fragmentação da zona do euro é de uma em três.
Numa proporção de quase dois para um, a grande maioria dos economistas, entre os quais muitos citaram temores relacionados aos problemas na zona do euro, disse que os países desenvolvidos precisam prestar mais atenção aos déficits. "Problemas fiscais são o maior risco para a recuperação/expansão", disse Paul Ballew, do Nationwide. O grupo menor de economistas, que disse que o mercado de trabalho é o maior desafio, afirmou que os governos de países desenvolvidos estavam se preocupando demais com os déficits e não estavam apoiando o crescimento com políticas fiscais.
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