Sólido crescimento nos países da Ásia provoca corrida para o risco

Valor Econômico - 11/06/2010
Michael Mackenzie, Financial Times, de Nova York

Os investidores se apressaram em adquirir ativos de risco ontem, à medida que dados robustos vindos da Ásia estabeleceram um tom otimista para commodities e renda variável globalmente e forneceram mais um alívio para o euro. "Os propulsores do mercado nas últimas 24 horas incluem, em grande medida, boletins econômicos da China, Japão e Austrália, que indicam crescimento em aceleração", disse John Stoltzfus, analista do Ticonderoga Securities. Nessa conjuntura, porém, a magnitude da recente correção nas ações continua incerta e analistas esperam mais oscilações voláteis até que a trajetória do crescimento econômico global fique clara.

"Ao longo dos próximos meses, esperamos que o processo de reordenamento dos preços em torno de riscos e avaliações continue, à medida que o mercado classifica o custo da austeridade na Europa, o aperto na Ásia e a re-regulamentação e as demandas e riscos ao sistema, de uma recuperação até agora sem empregos nos EUA", disse Stoltzfus. A renovação das transações com risco ontem ocorreu no momento em que muitos bancos centrais mantiveram reuniões de política econômica. 

        

Brasil e Nova Zelândia apertaram a política, enquanto Banco da Coreia, Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu mantiveram as taxas inalteradas em níveis historicamente baixos. "Esperamos que a economia da zona do euro cresça em ritmo moderado num ambiente de contínua tensão em alguns segmentos de mercado e de incerteza extremamente elevada", disse Jean-Claude Trichet, presidente do BCE. O banco não forneceu nenhum detalhe adicional sobre seu programa para comprar bônus de governos.

Os dados econômicos foram liderados por notícias de que as exportações da China em maio cresceram 48,5% ante o mesmo período no ano passado, confirmando informes da quarta-feira, de um salto de 50%. Um boletim sobre mercado de trabalho mais vigoroso do que o esperado na Austrália levou a uma queda na taxa de desemprego, de 5,4% para 5,2%. O crescimento anualizado do primeiro trimestre no Japão foi revisado para cima, para um aumento de 5%.

Nos EUA, o índice semanal de pedidos de seguro-desemprego caiu menos do que se previa, enquanto a média de quatro semanas subiu de 2,5 mil para 463 mil, ressaltando a característica de falta de trabalho da atual recuperação econômica. "O aumento modesto na média de quatro semanas dos pedidos de seguro-desemprego ao longo das últimas quatro semanas é um sinal um tanto preocupante de que a recuperação do emprego não ganhou ritmo em junho", segundo a RDQ Economics.

As ações asiáticas subiram de forma acentuada, embora Xangai tenha registrado desvalorização de 0,8%, afetada pelas preocupações quanto à possibilidade de mais restrições ao setor imobiliário, após a alta de 12,4% registrada nos preços das propriedades em maio. Em Sydney e Tóquio, os mercados fecharam com valorização idêntica, de 1,1%, enquanto o da Coreia do Sul apresentou elevação de 0,3% e o da Índia, de 1,6%.

Nos mercados de câmbio, o dólar neozelandês valorizou-se mais de 2% em relação ao iene e ao dólar dos EUA, depois de o banco central do país ter elevado sua taxa básica de juros em 25 pontos-base, para 2,75%. O dólar australiano também subiu mais de 2%, após a divulgação de dados econômicos favoráveis. O real brasileiro valorizou-se 1,8%, cotado a R$ 1,8172 por dólar.

Na negociação de bônus governamentais, o foco foram as emissões de títulos de dívidas na região do euro, com Espanha e Itália lançando papéis que atraíram boa demanda. O rendimento dos bônus espanhóis de dez anos caiu 10 pontos-base, para 4,47% ao ano. O dos papéis italianos de dez anos recuou 12 pontos-base, para 4%. Na segunda-feira, o bônus italianos ofereciam taxa de 4,32%.

Os bônus de dez anos do Tesouro dos EUA apresentaram aumento no rendimento, em meio à antecipação de uma colocação de papéis de 30 anos no valor de US$ 13 bilhões. Na Alemanha e Reino Unido, o rendimento avançou, após a elevação das ações locais.

O preço do cobre subiu pelo terceiro dia consecutivo e as commodities, em geral, foram negociadas em alta, sustentadas pelos anúncios de dados econômicos mundiais positivos.

O contrato de cobre para entrega em julho apresentou alta de 1,8%, para US$ 2,901 por libra-peso. O ouro voltou a cair e foi negociado a US$ 1.215 por onça-troy, em Nova York. Na terça-feira, o metal havia atingido o recorde de US$ 1.252. Os preços do petróleo nos EUA ultrapassaram US$ 76 por barril pela primeira vez desde meados de maio, recuperando-se da cotação de US$ 69,51 na segunda.

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