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Analistas já reduzem projeções de expansão da economia dos EUA
Valor Econômico - 14/06/2010 Rich Miller, Bloomberg
A economia dos EUA pode estar rumando para uma desaceleração que relembra a sofrida em 2002, à medida que a crise da dívida soberana na Europa, a gradual diminuição do apoio dos governos e a taxa de desemprego persistentemente elevada pressiona a expansão no segundo semestre do ano.
Economistas começaram a reduzir suas projeções pela primeira vez desde que a recuperação começou, em meados de 2009. Allen Sinai, da Decision Economics, e Michael Moran, da Daiwa Capital Markets America em Nova York, disseram que agora estimam expansão de 2,25% a 2,5% de julho-dezembro, uma baixa ante os 3% estimados anteriormente. "Os riscos à recuperação estão aumentando", disse Sinai. "Elevamos a probabilidade de uma recaída da recessão, de uma em 20, para uma em quatro".
A economia se expandiu num ritmo de 3,6% nos nove meses encerrados no primeiro trimestre, o mais recente dado disponível do governo. A alta no segundo trimestre poderá ser ainda mais veloz, indo a 4,1%, de acordo com a Macroeconomic Advisers. À medida que a economia progredia, os mais de 50 economistas sondados pela "Bloomberg News" a cada mês elevavam suas projeções para 2010, de 1,8% em junho de 2009, para 3,2%, em maio.
Apesar de terem havido "bons sinais" nos quatro meses passados, "penso que existe alguma fragilidade", disse Bill Gates, presidente do conselho de administração da Microsoft. Ele destacou os problemas da dívida da Europa e os cortes orçamentários dos EUA entre as forças que restringem o crescimento e comprometem a recuperação econômica.
"Enxergamos coisas que ainda são ventos contrários e, se elas frustram o ânimo, podem efetivamente parar a recuperação", ele disse, numa entrevista transmitida em 30 de maio na "CNN".
O ex-presidente do BC dos EUA, Alan Greenspan, usou a frase "recaída suave" para descrever a economia no fim de 2002, quando o crescimento cessou antes da invasão do Iraque em 2003, liderada pelos EUA. O PIB teve expansão de 0,1% no quarto trimestre de 2002, um ano após o início da recuperação da recessão de 2001. O mesmo poderá ocorrer se os mercados resvalarem a níveis ainda mais baixos, de acordo com Greenspan. "A economia deverá ficar muito volátil se o mercado acionário retroceder novamente", disse. Assim como em 2002, contudo, Greenspan não considera que esse tipo de desaceleração conduza a uma "recessão cumulativa".
Os preços das ações desmoronaram no mês passado, no momento em que os europeus lutam para conter a crise com medidas que incluem um plano de resgate de US$ 913,4 bilhões.
"Os mercados acreditaram demasiadamente na possibilidade de uma retomada em forma de "V" puxada por uma recuperação autossustentada do setor privado", disse Mohamed El-Erian, do Pacific Investment Management, administrador do maior fundo de bônus do mundo. Essa opinião "está começando a ser visível e gradativamente contestada pela multiplicidade de fatos e realidades na prática".
Os mais recentes vieram em junho, quando o Departamento do Trabalho informou que os empregadores do setor privado acrescentaram 41 mil postos de trabalho às folhas de pagamento em maio, numa queda em relação a 218 mil em abril. Apesar de a taxa de desemprego ter caído de 9,9% para 9,7%, ela permanece acima de 9% desde maio de 2009.
Os dados sobre empregos "põem em dúvida em que medida as coisas pareceriam estar sólidas no começo do ano", disse Ethan Harris, responsável por análises econômicas da América do Norte no BofA Merrill Lynch Global Research em Nova York.
O índice S&P 500 será negociado numa faixa de 1.040 a 1.200 durante os próximos meses à medida que a economia se desacelera e à medida que os investidores esperam que a Europa resolva seus problemas, disse Michael Jones, do Riverfront Investment.
"Estamos subindo em qualidade", por meio da compra de fundos de índices negociados em bolsa orientados para dividendos, disse Jones. "Num ambiente equilibrado entre medo e oportunidade, nomes como McDonald ' s e Clorox parecem bons".
A rede de restaurantes sediada em Oak Brook, Illinois registrou alta de 6,8%, para US$ 66,70, e a fabricante de água sanitária de Oakland está em alta de 3,4%, a US$ 63,07, no ano até agora.
Os riscos ao crescimento levaram economistas a deslocar a um futuro ainda mais distante seus apelos para que o Fed promova o primeiro aumento na taxa de juros nesse ciclo econômico.
Joseph LaVorgna, principal economista para EUA no Deutsche Bank Securities em Nova York, agora acredita que o Fed começará a elevar a taxa de redesconto diária durante o quarto trimestre e não no terceiro. Harris alterou sua projeção de março para agosto do próximo ano.
Harris alterou a previsão para o mercado de bônus e diz que o rendimento sobre a nota de 10 anos do Tesouro dos EUA subirá para 3,75% no quarto trimestre, em vez de 4,25% . O rendimento fechou a 3,2% em 4 junho, queda de 19,7% ante o nível mais alto do ano, de 3,99%, em 5 de abril.
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