Estreia do Brasil tira volume dos mercados

Valor Econômico - 15/06/2010
Por dentro do Mercado: Eduardo Campos

A estreia do Brasil na Copa do Mundo, nesta terça-feira, já começa a mexer com o mercado financeiro e deve reduzir o volume de negócios nas mesas de operação. Essa diminuição dos negócios já foi captada pela Bovespa. E, hoje, o efeito do jogo e da paralisação de parte dos negócios será observado também nos mercados de câmbio e juros.

Vale lembrar que o pregão de câmbio tem horário especial de negociação, com o registro de operações até às 13h30 e confirmação até as 14 horas. Na BM&FBovespa, a sessão não para, ou seja, os contratos de dólar futuro têm horário regular de transação.

Nas mesas de câmbio, o que se espera é uma antecipação da tomada de posições, algo que pode se mostrar válido também para o mercado de juros futuros.

Além do efeito Copa, também já se menciona nas mesas a redução de liquidez como resultado da proximidade do período de férias no Hemisfério Norte.

Na sessão de ontem, a retomada de posições em ativos de risco esbarrou na Grécia, que teve sua nota soberana cortada para "junk bond" pela Moody ' s. No final de abril, a Standard & Poor's já tinha feito a mesma coisa.

Mesmo não sendo surpreendente, a notícia quebrou o tom otimista que pautava os negócios e trouxe instabilidade ao pregão. Seja por preocupação ou por servir de desculpa para embolsar ganhos recentes.

No câmbio, essa notícia contribuiu para segurar o preço da moeda acima de linha de R$ 1,80. Mas, mais importante do que isso, os operadores notaram que dólar abaixo dessa linha de preço chama os compradores ao mercado.

Ainda assim, o dólar comercial terminou a jornada com baixa de 0,44%, a R$ 1,808 na venda, menor preço em um mês. Na mínima, a moeda saiu a R$ 1,796.

Segundo o trader de câmbio da Brascan Gestão de Ativos, Marco Antonio Azevedo, existe um suporte forte em torno da linha de R$ 1,80. Seja porque quem tem posição de curto prazo zera apostas nessa linha de preço, seja porque o cenário ainda não permite grandes posições direcionais.

Entre esses compradores de ocasião podem estar os bancos, que vinham apostando na queda de preço do real desde o começo do mês.

Tal percepção poderá ser confirmada, hoje, conforme a BM&F mostrar as posições em mercado futuro após o pregão de segunda-feira.

Os dados disponíveis até então sugerem que os bancos já começaram a embolsar parte do lucro resultante dessa estratégia. A posição vendida, que somava US$ 8 bilhões na quarta-feira, dia 9, caiu para US$ 6,28 bilhões no final da sexta-feira, dia 11.

Já os estrangeiros, reduziram a aposta pró-dólar de US$ 5,7 bilhões, na quarta-feira, para US$ 4,38 bilhões na sexta.

Dando força à ideia de que são os derivativos e não o mercado à vista que determina o preço do dólar, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) mostrou que o real é a segunda maior moeda mundo no mercado de derivativos, perdendo apenas para o dólar americano.

O volume de posições em aberto com a divisa brasileira subiu 41% no primeiro trimestre, somando US$ 144 bilhões.

A pergunta que fica é: como uma moeda que não é conversível nem utilizada como reserva de valor tem tamanha importância?

Para o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Moura Nehme, a resposta é simples. O real é utilizado para movimentos especulativos, já que oferece excelente oportunidade de ganho.

Eduardo Campos é repórter
E-mail: eduardo.campos@valor.com.br


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