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Preço baixo deve atrair recursos para emergentes
Valor Econômico - 16/06/2010 Por Carolyn Cohn, Reuters, de Londres
Mercado acionário: Queda das cotações no ano e fundamentos bons das economias podem favorecer países.
As ações de países emergentes vêm tendo um desempenho inferior este ano, mesmo com fundamentos relativamente sólidos. Mas isso pode estar para mudar, uma vez que os investidores estão percebendo que os preços estão baixos. As avaliações das ações emergentes caíram aos mais baixos níveis históricos, conforme demonstra o índice MSCI Emerging Markets, que este ano está bastante alinhado às ações globais.
A volta do apetite pelo risco ajudou os mercados emergentes a superar as grandes bolsas de valores mundiais no ano passado, com uma valorização de 75%, ante os 32% das ações globais. Este ano, elas não estão conseguindo aproveitar os fundamentos econômicos mais sólidos, dada a volta da aversão pelo risco. Mas valores atraentes as colocam prontas para uma recuperação no segundo semestre, segundo afirmam analistas e investidores. 
Allan Conway, gerente de fundos da Schroders, diz que as ações emergentes poderão subir de 20% a 30% num período de seis a 12 meses. "Uma das coisas surpreendentes é as ações emergentes estarem se saindo do jeito que estão", diz Conway. "Os fundamentos estão muito melhores do que nos países desenvolvidos".
No mês passado, o Morgan Stanley decidiu aumentar a parcela de aplicações em ações emergentes, em sua primeira mudança de posição sobre a classe de países em quase um ano. O banco alegou que as avaliações do índice estão com um desvio padrão abaixo das médias de longo prazo. O banco disse em uma nota a clientes que a relação de 12 meses do múltiplo Preço sobre Lucro (P/L) das ações emergentes, de 9,6 vezes, atingiu os menor nível em relação ao ciclo de 2004. O P/L dá uma ideia do tempo que o investidor terá que esperar para obter retorno de suas aplicações.
O P/L futuro dessas ações estava acima de 13 vezes antes da onda de vendas que se abateu sobre as ações globais este ano. As avaliações de papéis mais baratos em mercados como a Rússia e a China começaram a atrair investidores mais uma vez, depois da onda de vendas de maio, segundo dados da consultoria EPFR Global.
Os temores de um aperto de política monetária e de medidas para conter os preços dos imóveis vêm afetando as ações na China e em Hong Kong. A Bolsa de Xangai vem apresentando um dos piores desempenhos do ano, tendo já perdido 20%. Mas os mercados reagiram desde as notícias, na semana passada, de que as exportações chinesas cresceram quase 50% em maio. "Em termos históricos, os preços na China caminham para o fundo do poço, a Rússia é um dos mercados mais baratos do mundo, desde que os preços do petróleo continuem firmes", diz Conway.
A economia brasileira cresceu no ritmo mais acelerado em 14 anos no primeiro trimestre, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou suas previsões de crescimento para a Rússia de 4% para 4,25%. Embora os fundamentos econômicos estejam melhorando, uma onda de operações de abertura de capital prontas para serem desencadeadas poderá determinar a demanda por ativos emergentes.
O Banco Agrícola da China reduziu o tamanho de sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de US$ 30 bilhões para cerca de US$ 23 bilhões. E várias companhias russas vêm adiando operações do tipo. Mesmo com os adiamentos, os IPOs de mercados emergentes realizados este ano já se equiparam ao total de operações realizadas em todo o ano de 2008 e somam mais da metade do total de 2009. "Quando os IPOs são abundantes, o mercado está chegando ao pico", diz Kees Verbaas, diretor-executivo de mercados emergentes da administradora de fundos Hermes.
O Leste Europeu é visto como mais arriscado que os demais mercados emergentes, dados os temores de um contágio da crise para os países periféricos da zona do euro. Comentários feitos por funcionários do governo da Hungria, sugerindo que o país poderá enfrentar uma crise de dívida ao estilo grego, derrubaram os mercados este mês. A Hungria tem uma dívida equivalente a 80% do seu Produto Interno Bruto (PIB), a maior de um mercado emergente europeu.
Mesmo assim, ela é bem menor que a da Grécia, de 120% do PIB. "É surpreendente o quanto a Hungria afetou os mercados mundiais por um dia ou dois", diz Mihail Dobrinov, gerente de fundos da Principal Global Investors.
A maioria dos maiores mercados emergentes possui níveis baixos de endividamento: a China tem uma relação de dívida sobre o PIB de menos de 20%, enquanto a da Rússia é inferior a 7%. Jeff Chowdhry, diretor de ações emergentes da F&C, diz que o índice dos emergentes poderá subir cerca de 15% até o fim do ano. (Tradução Mario Zamarian)
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