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Captações externas crescem 27% no semestre
Valor Econômico - 17/06/2010 Cristiane Perini Lucchesi, de São Paulo
Renda fixa: Mesmo com crise na Europa, total em 2009 vai a US$ 18 bi
Com o mercado externo mais calmo, os especialistas já acreditam que as emissões de eurobônus de empresas e bancos brasileiros podem voltar a acontecer já no mês que vem. Depois da paradeira desde o início de maio, decorrente da crise de dívida na Europa, há liquidez disponível e o Banco Votorantim e a Odebrecht saíram em visitas aos investidores. A BM&F Bovespa havia sondado os bancos para emitir US$ 600 milhões em bônus, mas, segundo o mercado, avalia o lançamento de debêntures.
De acordo com opinião unânime dos especialistas, o grosso do movimento de emissões brasileiras de títulos de renda fixa no exterior, no entanto, deverá vir somente em setembro, depois do fim das férias no Hemisfério Norte. E ainda se as eleições presidenciais no Brasil não trouxerem turbulências ao mercado.
Pressa das grandes empresas em emitir bônus não existe, pois o crédito à exportação continua a ser uma alternativa disponível e barata. Além disso, até agora neste ano companhias, bancos e governo brasileiros levantaram US$ 18 bilhões no exterior em bônus e empréstimos sindicalizados (com a participação de vários bancos), volume 27% superior ao do primeiro semestre de 2009, chegando a US$ 18 bilhões. Considerando-se o volume também alto do segundo semestre de 2009, de US$ 26,6 bilhões, é possível dizer que as empresas e bancos adiantaram captações externas.
As empresas médias, como a gaúcha Frangosul, do setor avícola, e a Canguru, produtora de plásticos e embalagens, trocaram emissão de notas vinculadas à exportação por empréstimos, que já tiveram aumentos de prêmios de risco de crédito, mas de menos de 50 pontos básicos.
Os bancos médios que precisam crescer para acompanhar a expansão no crédito e têm no mercado externo a principal fonte de captação de longo prazo - com exceção dos DPGEs, depósitos a prazo com garantia do Fundo Garantidor - também têm buscado alternativas mais atraentes do que eurobônus. O BicBanco conseguiu fechar transação de dívida subordinada com o banco de fomento alemão DEG. "Vínhamos negociando há anos, mas só agora a transação se tornou competitiva em relação a outras alternativas de captação do BicBanco", diz Bertram Dreyer, representante do DEG para o Mercosul.
"Os spreads de crédito dos eurobônus vêm caindo muito nas últimas duas semanas e a liquidez voltou para o mercado", diz Alexei Remizov, responsável pela área de mercado de capitais para Brasil do HSBC. "Já começamos a ver janelas de oportunidade para emissões, mas ainda pequenas", diz. O risco de alguma notícia negativa afetar os preços ainda é alto, afirma ele. Os indicadores sobre a economia americana também andam mostrando fraqueza, o que tem deixado o mercado desanimado. Mas, em compensação, os juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de vencimento em dez anos, que servem de referência no mercado de eurobônus, estão em queda.
Segundo Remizov, hoje já acontecem emissões de bancos dos Estados Unidos e as empresas de primeira linha da América Latina deverão testar em breve o mercado externo.
Augusto Urmeneta, responsável pela área de mercado de capitais para América Latina do Bank of America Merrill Lynch, concorda. "Estamos passando por um mini rali e poderemos ver transações de empresas e bancos brasileiros acontecendo já a partir de julho", acredita. "Os spreads tiveram compressão importante nas últimas semanas e já estão mais aceitáveis", diz ele, para acrescentar que bancos e empresas brasileiras já "fizeram muito do que estava represado, do que precisavam fazer no mercado externo após a crise de 2008". Urmeneta diz que os investidores, por sua vez, estão com apetite para investir no Brasil.
Carlos Gribel, diretor do Banco Máxima, acredita que somente em setembro os emissores brasileiros vão lançar eurobônus, pois o mercado ainda não está tão atrativo assim. O rebaixamento da nota de crédito da Grécia pela Moody's, que seguiu o movimento da Standard & Poor's, trouxe incertezas. "Há a Copa do Mundo e todos os investidores de todo o mundo estão prestando atenção nos jogos e os negócios ficam prejudicados", diz ele.
(Colaborou Carolina Mandl)
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