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Para analistas, ata fortalece alta acima de 3 pontos
Valor Econômico - 18/06/2010 Angela Bittencourt, de São Paulo
A ata do Copom fortaleceu a corrente de analistas que considera pouco o ciclo de aperto monetário de 3 pontos percentuais para promover a convergência da inflação para o centro da meta em 2011. Para essa corrente, a ata dá argumentos que corroboram a possibilidade de o ciclo ser de 3,5 a 4 pontos percentuais, elevando a Selic até 12,75% ao ano.
"O Banco Central indicou na ata que houve piora do cenário e que a inflação projetada para 2011 está acima do centro da meta, sugerindo que a alta da Selic de 3 pontos, já esperada, é insuficiente", avalia Elson Teles, economista-chefe da Máxima Asset Management, para quem o Relatório de Inflação a ser divulgado no final deste mês deverá esclarecer se o BC está mesmo vendo a inflação mais próxima de 5% do que de 4,5% no ano que vem.
Luis Otavio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil, também considera que a ata deixou mais claro que o ajuste da Selic será maior. "O BC indicou que deverá aumentar mais o juro ou aceitar a convergência da inflação para a meta em prazo mais longo e não no final de 2011. E nada sugere que o BC está disposto a esperar mais tempo para a convergência da inflação", pondera. O economista do ABC Brasil avalia que daqui para frente o cenário externo é o grande diferencial que deverá levar o BC a manter o aumento de 0,75 ponto percentual da Selic. Para ele, sem elevação ou queda expressiva dos preços das commodities, a dose será mantida. "O fato é que a ata mostra que o BC deixou de considerar o cenário externo como fator neutro de pressão inflacionária".
Para Marcelo Carvalho, diretor executivo do Morgan Stanley, além de reconhecer que o cenário externo piorou, a ata do Copom mostra que a pressão inflacionária doméstica vai além dos fatores pontuais ou sazonais. Mas isso, na sua avaliação, não aponta aceleração da alta da Selic para 1 ponto. "A alta de 0,75 ponto é o ritmo de ajuste em julho e setembro. Continuamos assumindo que o BC fará uma pausa nas reuniões de outubro e dezembro", explica.
Zeina Latif, economista-chefe do ING Bank, lembra que elevação da Selic em 0,75 ponto percentual em julho e setembro é o cenário básico, em nada alterado pela ata, e considera que um cenário alternativo deve ser eleito pelo mercado, podendo afetar a curva de juros nas próximas semanas. "O mercado sempre trabalha com um cenário alternativo e ele deve contemplar aumento da Selic em 1 ponto percentual ou 0,50 ponto. O mercado deve beliscar 0,50 por conta da inflação que poderá ser mais influenciada pela acomodação dos preços das commodities", avalia Zeina.
A economista reconhece que os núcleos dos índices de inflação estão mostrando resistência ao alívio observado nos preços dos alimentos, mas considera possível que as expectativas sejam afetadas positivamente por esse movimento. "Podemos ter surpresas favoráveis, o que pode alterar a percepção de que o BC fará um aperto adicional", alerta Zeina Latif, para quem a ata do Copom tem "tom neutro, mostrando um BC tranquilo em relação à sua estratégia de política monetária".
A LCA Consultores, que mantém a previsão de mais duas elevações da Selic em 0,75 ponto cada uma, considera improvável que o BC venha a diminuir o ritmo de elevação de juros no curto prazo. Isso, principalmente, porque os seus modelos de projeção continuam a apontar inflação em elevação e acima da meta, tanto para 2010 como para 2011 - e tanto no seu cenário de referência como no cenário que leva em conta as hipóteses de mercado para câmbio e Selic.
De maneira geral, diz a LCA em relatório, a ata parece afastar as chances de que o ritmo de aperto da política monetária seja intensificado. Ao lado da retórica mais branda da autoridade monetária, contribuem para essa percepção: a acomodação recente das expectativas dos mercados para a inflação; e a moderação no ritmo de crescimento da atividade econômica, como evidenciado pelos resultados mais recentes da produção industrial e do comércio varejista.
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