 |
Cresce a oferta de fundos que aplicam no exterior
Valor Econômico - 18/06/2010 Por Luciana Monteiro, de São Paulo
Estratégia: É cada vez maior o número de gestoras com carteiras que destinam todo o patrimônio, ou pelo menos parte dele, ao mercado internacional.
A internacionalização do setor de fundos do Brasil começa finalmente a sair do papel. É cada vez maior o número de gestoras com carteiras que aplicam todo o patrimônio no exterior ou pelo menos parte dele. Apesar de o mercado brasileiro continuar bastante atrativo, a avaliação é de que é possível garimpar oportunidades lá fora. E com uma carteira mais diversificada, o investidor consegue reduzir riscos.
Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Mirae e Man Investments (em parceria com o banco Société Générale) são exemplos de instituições que criaram nos últimos meses fundos que aplicam no exterior. A inglesa Ashmore também já conta com uma carteira que investe no mercado internacional e está lançando outra (ver abaixo). A mais nova a integrar essa lista é a asset do BNP Paribas, com uma família de fundos de fundos que investe lá fora.
A regra para as aplicações diretas de fundos no mercado internacional existe desde fevereiro de 2008, quando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou a Instrução 450. Mas a quebra do banco americano Lehman Brothers, em setembro daquele ano, fez com que os gestores congelassem os lançamentos. Depois, passado o momento de maior aversão a risco, os gestores preferiram apostar na retomada da bolsa local. Agora, o movimento começa a ganhar corpo.
Pela legislação, todos os fundos podem aplicar até 10% da carteira no exterior, sendo que os multimercados podem chegar a 20%. O percentual sobe para 100% em fundos para investidores super qualificados, com mais de R$ 1 milhão em aplicações.
Além do momento de mercado interessante para investimentos desse tipo, contribui para a estratégia de lançamento a flexibilização das regras de aplicação dos fundos de pensão. Em setembro do ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) elevou o limite para investimentos fora do país pelos fundos de pensão de 3% para 10%. Isso abriu um mercado enorme para os gestores.
A fim de fisgar uma parte desses recursos, a BNP Paribas Asset Management Brasil lançou ontem a família Access, que conta com cinco carteiras que aplicarão em fundos baseados no exterior. O primeiro é um multimercado que aplicará 80% no mercado local e 20% na China. Batizado de Brasil China, o portfólio tem aplicação mínima de R$ 50 mil e está aberto a todos os investidores. Ele aplicará a parcela de 20% no fundo FLF Equity China, baseado em Luxemburgo e que tem patrimônio de US$ 700 milhões.
Os demais fundos são voltados somente para investidores qualificados - fundos de pensão, seguradoras e pessoas físicas com pelo menos R$ 300 mil em aplicações financeiras. Todas as carteiras têm taxa de administração mínima de 0,75% ao ano e máxima de 2,5%. Nenhuma delas cobrará taxa de performance e os resgates serão pagos em cinco dias a partir do pedido. Elas serão denominadas em dólar, ou seja, a variação do real em relação à moeda americana terá impacto sobre o retorno do investidor.
O segundo é o Global Commodities, que investirá lá fora em energia, metais, metais preciosos, matérias-primas agrícolas e derivativos por meio do fundo Sigma Commodities World. De acordo com Luiz Sorge, diretor da asset do BNP no Brasil, a correlação da carteira com o mercado local é baixa, apesar de o fundo ser focado em commodities. "Isso ocorre porque os investimentos são feitos não apenas em matérias-primas exportadas pelo Brasil, mas em outros produtos também."
A terceira carteira é a Global Companies, que aplicará em dois portfólios de ações também baseados em Luxemburgo - o Parvest Global Brands e o Consumer Durables - e que somam, juntos, US$ 200 milhões. Segundo Sorge, a ideia é oferecer ao investidor a possibilidade de aplicar em grandes marcas famosas, mas que não têm ações listadas no Brasil, como Toyota, McDonald's, Nike, Amazon e LVMH (dona da Louis Vuitton).
O quarto fundo é o Emerging Markets, que terá como referencial o índice MSCI Emerging Markets. "Apesar de a correlação com o mercado brasileiro ser maior nessa aplicação, é uma oportunidade de o investidor diversificar em diferentes regiões, reduzindo riscos", diz Sorge. Atualmente, o fundo no qual a carteira aplicará lá fora está 33% alocado em China, 25% em Brasil e o resto em Rússia, Indonésia e África do Sul.
A última opção é o USA Companies, que aplicará em dois fundos no exterior: o USA Equities e o Opportunities USA, que somam, juntos, US$ 300 milhões. O fundo buscará superar a variação do índice MSCI USA e a gestão é feita em Boston. Sorge reconhece que algumas barreiras terão de ser quebradas junto aos investidores, dado que o mercado brasileiro ainda conta com boas oportunidades. "O investidor vê os problemas na Europa e dificilmente pensa em aplicar lá fora, mas há oportunidades no exterior", diz. "Isso sem falar nos benefícios da diversificação."
<< Voltar
|
|