Tensão com teste de estresse volta à cena

Valor Econômico - 22/06/2010
David Oakley, de Londres, de Financial Times

Zona do euro: Exposição de bancos franceses e alemães a economias mais frágeis da UE preocupa investidor

São crescentes os temores sobre a exposição de bancos franceses e alemães às economias mais frágeis na zona do euro, como as da Grécia, de Portugal e da Espanha, após iniciativas no sentido da publicação dos testes de estresse bancário na Europa.

Investidores advertem que os testes poderão expor a interdependência do sistema bancário europeu e fazer com que se alastre o contágio, que começou com a Grécia, para as duas maiores economias no continente.

Elisabeth Afseth, estrategista de renda fixa na Evolution, disse: "Os testes de estresse têm feito com que a preocupação de alguns investidores se concentre na exposição da França e da Alemanha às economias periféricas. Isso poderia colocar sob pressão os mercados de títulos francês e alemão".

Números publicados pelo Banco de Compensações Internacionais na semana passada mostram que os bancos franceses e alemães estavam particularmente expostos à Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha.

Isso significa que os bancos franceses e alemães poderão sofrer pesadas perdas em caso de qualquer dos países periféricos deixar de honrar suas obrigações. A maioria dos investidores acredita que a Grécia ficará impossibilitada de pagar suas dívidas, ao passo que crescem as probabilidades de o mesmo acontecer com os outros países.

A Alemanha começou a enfrentar os problemas de alguns de seus bancos, inclusive com a reestruturação do Hypo Real Estate, estatizado agente de financiamentos habitacionais. A França tem um grande déficit orçamentário e teria menor facilidade de bancar os recursos para socorrer seus bancos frágeis.

Alguns gestores de fundos venderam dívida francesa devido a preocupações com a exposição dos bancos gregos, ao passo que outros estão reduzindo sua exposição a todo o mercado de títulos da zona do euro, inclusive a Alemanha. Se os mercados espanhol e português ficarem sob renovadas pressões, isso fará com que mais investidores descarreguem papeis de dívida de outros países da zona do euro, devido à interdependência dos mercados, dizem analistas.

Fredrik Nerbrand, diretor de estratégia de investimentos do HSBC Private Bank disse: "Os bancos europeus têm uma exposição de US$ 272 bilhões à Grécia, mas têm uma exposição de US$ 851 bilhões à Espanha e uma exposição de US$ 606 bilhões à Irlanda. Se qualquer dos países problemáticos vier a sofrer o tipo de pressões que a Grécia está sofrendo, os efeitos de contágio no sistema bancário europeu poderá desencadear outra crise de liquidez".

Em seu relatório trimestral publicado em 14 de junho, o BIS disse que os bancos alemães e franceses tinham uma exposição combinada de US$ 958 bilhões à Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha no final de 2009.

Analistas do Execution Noble informaram, em relatório publicado ontem, que o Banco Santander e o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria poderão ter de captar aproximadamente € 11 bilhões cada em capital adicional se precisarem fazer ajustes, incluindo uma redução no preço dos seus bônus do governo espanhol.

No seu "teste de estresse" extraoficial sobre instituições de crédito, os analistas Joseph Dickerson, Fiona Swaffield e Anke Reingen supuseram que os bancos deverão reportar um corte de 10% sobre seus títulos de dívida do governo espanhol. O teste para o Santander incluiu € 51 bilhões em prejuízos com empréstimos em 2010 e 2011 e o impacto do corte estimado sobre € 27 bilhões em bônus soberanos espanhóis e portugueses, de acordo com o relatório. Para o BBVA, o teste supôs perdas de € 27 bilhões e o impacto do corte sobre € 25 bilhões de dívida espanhola.

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