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Câmbio chinês eleva apetite por ações de emergentes
Valor Econômico - 06/28/2010 Eduardo Campos, de São Paulo
A decisão da China de flexibilizar a sua moeda teve influência sobre a movimentação de recursos entre os fundos globais na terceira semana de junho. Segundo a consultoria americana EPFR Global, ao permitir a flutuação do yuan, a China deu um impulso na demanda por ativos de risco, favorecendo os fundos de ações de mercados emergentes.
Entre as quatro grandes categorias, os diversificados Mercados Emergentes Globais (Gem, na sigla em inglês) levantaram US$ 1,5 bilhão na semana encerrada dia 23 de junho. O grupo Ásia (sem Japão) e os emergentes da Europa, Oriente Médio e África (Emea, na sigla em inglês) também receberam recursos.
Quem ficou de fora foram os fundos de ações da América Latina. Segundo a consultoria, o fraco desempenho do grupo se deve ao fato de o Brasil estar no meio de um processo de aperto monetário e, por isso, deixar de aproveitar qualquer vantagem competitiva gerada pela decisão da China de ter uma moeda mais forte. Já os Fundos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), outra forma de exposição às economias emergentes, voltaram a captar recursos, elevando a US$ 772 milhões o montante levantado no ano.
Ampliando a análise, todos os fundos de ações acompanhados (emergentes e desenvolvidos) fecharam a semana do dia 23 com saldo negativo de US$ 2,54 bilhões. Já a demanda por renda fixa continuou firme, com os fundos de bônus captando US$ 2,58 bilhões. Com apenas uma semana para o fechamento do semestre, a EPFR Global aponta que todas as carteiras de ações levantaram US$ 8,8 bilhões na primeira metade de 2010. Em em igual período de 2009, as carteiras amargavam perdas de US$ 26 bilhões.
Nos mercados desenvolvidos, os fundos de ações dos Estados Unidos perderam dinheiro na semana. Segundo a consultoria, além de repercutir a decisão cambial da China, os agentes também lidaram com dados negativos sobre o setor imobiliário. Já os fundos de ações do Japão levantaram modestos US$ 29 milhões. Mas o país deve se beneficiar da maior demanda chinesa, que já absorve 20% de todas as exportações japonesas. Os investidores ensaiaram um retorno aos fundos de ações da Europa, mas os saques foram aumentando no decorrer da semana, conforme os investidores lidaram com o aperto fiscal do Reino Unido e renovada preocupação com crédito podre dentro das instituições financeiras da região.
Entre as carteiras setoriais, a movimentação foi bastante tímida. Apenas quatro das nove categorias acompanhadas ganharam algum dinheiro. E dentro desses quatro ganhadores, apenas as carteiras de serviços públicos receberam mais de US$ 70 milhões.
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