Empresas americanas já aumentam investimentos

Valor Econômico - 29/06/2010
Justin Lahart e Kris Maher, The Wall Street Journal

As empresas americanas começaram a aumentar o investimento em equipamentos, à medida que a recuperação iniciada no setor industrial se amplia para outras áreas da economia.

As despesas de capital caíram fortemente nos Estados Unidos durante a recessão e, mesmo agora, as empresas continuam cautelosas diante da turbulência na Europa e do temor de que a recuperação ainda possa tropeçar. Mas, como a demanda mundial continua a crescer, essa incerteza está sendo suplantada pelo temor de ficar para trás.

"Estamos vendo o comércio mundial se expandir e o resultado disso é que queremos ser muito agressivos em nossa expansão internacional", disse Alan Graf, diretor financeiro da FedEx Corp. "Voltamos à ofensiva."

A gigante das encomendas rápidas planeja gastar US$ 3,2 bilhões em novas máquinas e instalações no ano fiscal iniciado este mês, ante US$ 2,8 bilhões ano passado. "Dois terços disso é para expansão e apenas um terço é para manter nossos negócios atuais, então estamos muito otimistas", disse Graf.

A FedEx informa que vai comprar mais jatos 777 da Boeing Co. para atender a suas movimentadas rotas entre os EUA e a Ásia. Ela também está construindo mais galpões para separar as encomendas para sua rede terrestre nos EUA, e reativando aviões que tinha estacionado no deserto durante a crise.

Um relatório do Departamento do Comércio dos Estados Unidos revelou na semana passada que os pedidos de bens duráveis - produtos que duram pelo menos três anos - caíram 1,1% em maio em relação a abril, uma queda que foi alimentada pelo declínio nos normalmente irregulares pedidos de aviões. Mas um índice importante acompanhado pelos economistas para mensurar os planos de despesas de capital, os pedidos de máquinas que não incluem defesa e aviões, subiram 2,1% em abril, e foram 18,4% maiores que um ano antes.

Dean Maki, economista do Barclays Capital, nota que os lucros das empresas subiram 30% no primeiro trimestre em relação a um ano antes, e, no passado, quando os lucros subiam tanto assim, criava-se uma dinâmica de competição quando as empresas começavam a sentir a necessidade de contratar mais para acompanhar os concorrentes.

"A única maneira de aumentar sua participação no mercado é investindo e contratando", disse ele. "Não dá para fazer isso sem se mexer."

A 3M Corp., que fabrica desde as notinhas autocolantes Post-it até máscaras cirúrgicas, planeja investimentos de capital de até US$ 1,2 bilhão este ano, em comparação com US$ 900 milhões no ano passado. Entre outras coisas, a empresa, que tem sede em Saint Paul, no Estado americano de Minnesota, está construindo uma nova fábrica em Cingapura para fabricar filmes para painéis solares. A demanda numa fábrica existente lá cresceu mais de 100% nos últimos trimestres.

O diretor-presidente da 3M, George Buckley, disse numa conferência com investidores este mês que a empresa viu outras "surpresas" positivas na demanda, como em abrasivos, eletrônicos e no setor petrolífero. "Estamos no limite da capacidade nessas áreas", disse.

Fabricantes de equipamento para computadores e software também registraram aumento da demanda.

Numa teleconferência na semana passada, Timothy Main, diretor-presidente da fabricante terceirizada de eletrônicos Jabil Circuit Inc., de Saint Petersburg, Flórida, disse: "Muitas empresas adiaram seus investimentos de capital relacionados à tecnologia durante a recessão e há uma demanda reprimida significativa."

A empresa de software Red Hat Inc., de Raleigh, Carolina do Norte, teve 11 contratos de US$ 1 milhão ou mais no trimestre encerrado em 31 de maio, mais que o dobro do que havia assinado um ano antes, disse seu diretor financeiro, Charlie Peters, numa teleconferência.

Ainda assim, aumentar os investimentos de capital é uma decisão tensa para muitas empresas. A crise de dívida na Europa abalou os mercados financeiros nos últimos dois meses e ameaça podar uma recuperação econômica que até maio parecia estar ganhando força.

JB Brown, presidente da Bremen Castings Inc., de Bremen, Indiana, disse que o conselho da empresa se reuniu semana passada e autorizou investimento de US$ 5 milhões por ano, o dobro da quantia do ano passado, principalmente em novos equipamentos. Ele disse que ainda teme que a economia possa piorar este ano, mas não tem escolha senão investir agora.

As vendas da Bremen caíram 24% ano passado, mas devem subir 27% este ano.

A Welspun Corp., de Arkansas, que fabrica tubos usados na indústria petrolífera, decidiu injetar mais US$ 30 milhões numa fábrica para aumentar sua capacidade de soldagem e reforçar seu pátio ferroviário para poder carregar 40 vagões por dia, em vez dos atuais 20.

O setor industrial tem sido importante para a recuperação americana, impulsionado por maior demanda de mercados em desenvolvimento como Brasil, China e Índia e uma necessidade de repor estoques que foram cortados durante a recessão.

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