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Apetite por títulos da dívida da Espanha ressurge
Valor Econômico - 08/07/2010 David Oakley e Rob Budden, Financial Times
Na semana passada, alguns dos maiores gestores de investimentos do mundo começaram a compra títulos de dívida espanhóis pela primeira vez em meses. A iniciativa foi um sinal de esperança de que o pior pode já ter passada na crise dos bônus da zona do euro, que estourou em outubro do ano passado quando foi revelado que a Grécia estava subestimando seu déficit fiscal.
Esse otimismo hesitante é decorrente dos sinais de recuperação emitidos pelos mercados de bônus da Espanha, Grécia e Portugal - os que vêm sendo mais pressionados durante a crise - e do fortalecimento do euro em comparação ao dólar no último mês.
O euro teve valorização de 6% contra o dólar desde 7 de junho, enquanto os mercados de bônus espanhol, português e grego subiram cerca de 3% desde o fim do mês passado.
Um importante gestor de fundos diz: "Estamos comprando Espanha novamente. Os rendimentos que eles estão oferecendo são muito atraentes, com um acúmulo muito grande sobre a Alemanha. Há um preço para tudo e a Espanha não é a Grécia".
Outro gestor de um grande fundo de investimentos também está comprando mais bônus governamentais da Espanha. Alguns de seus fundos, que precisam ter um certo volume de títulos de dívida do governo espanhol como parte de seus ativos, compraram bônus espanhóis no leilão de bônus de cinco anos de prazo do país, realizado na quinta-feira.
Outros administradoras de fundos, como a Baring Asset Management e a Standard Life Investments, embora relutantes em apostar na Espanha, Grécia e Portugal, estão preparadas para investir em bônus da Itália, tida como o país da zona do euro mais arriscado depois da Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda.
Alan Wilde, diretor de renda fixa e câmbio da Baring Asset Management, diz: "Comprar bônus italianos é uma maneira mais segura de expor seus fundos às economias periféricas."
A volta de alguns compradores nas últimas semanas representa um passo significativo em relação ao começo de maio - quando o Banco Central Europeu (BCE) começou seu programa de compra de bônus -, quando quase não havia compradores internacionais de dívidas soberanas periféricas.
Em maio, a consultoria de investimentos Hewitt aconselhou clientes de fundos de pensão da Irlanda a reduzir suas exposições aos bônus gregos e de outros governos periféricos por causa dos tremores de um desmanche do euro.
"Clientes da Irlanda tinham um referencial de bônus que era bom desde que o euro permanecesse íntegro. Mas há uma chance significativa da Grécia não permanecer no euro", afirma Colin Robertson, diretor global de alocação de ativos da Hewitt. "Aconselhamos nossos clientes a tentarem excluir os bônus da Grécia e possivelmente os de Portugal e Espanha."
Para alguns, essas preocupações estão agora sendo superadas pelas incertezas em relação aos testes de estresse dos bancos europeus e a força da recuperação. Fredrik Nerbrand, diretor da estratégias de investimento do HSBC Private Bank, afirma: "Pretendemos continuar de fora do mercado por enquanto, por causa das incertezas. Ainda estamos nos segurando quando o assunto é títulos mais arriscados. Não estamos convencidos de que a crise da zona do euro já passou".
Arif Hussain, diretor de renda fixa da AllianceBernstein, acrescenta: "Ainda há muito nervosismo por aí em relação à zona do euro. Estamos realizando discussões detalhadas para ver se o momento é certo para a compra de Espanha e talvez até mesmo Grécia, mas ainda não tomamos essas decisões".
Essas preocupações estão levando administradoras de fundos como a Schroders Investment Management e a Standard Life Investments, a comprar títulos de dívida corporativos, em vez de títulos de países periféricos da zona do euro, uma vez que eles oferecem rendimentos parecidos com uma percepção de risco menor.
A maioria dos gestores de fundos e estrategistas afirmam que haverá uma visão mais clara sobre as perspectivas para a economia e os mercados de bônus da zona do euro assim que os testes de estresse dos bancos forem divulgados, o que deverá acontecer no fim do mês, e assim que houver mais evidências de recuperação da economia.
De uma maneira específica, será vital para o sentimento a maneira como o recuo fiscal das economias mais fracas da zona do euro vai afetar o crescimento. Um dos maiores temores é que o rigor dos pacotes de austeridade na Espanha, Portugal e Grécia venham a destruir o crescimento, levando à deflação e lançando essas economias em recessões profundas, que tornariam para elas quase impossível pagar suas grandes dívidas.
Num cenário desses, o risco de default o reestruturação de suas dívidas aumenta muito, assim como as chances de Espanha e Portugal serem forçados, assim como a Grécia, a usar empréstimos de socorro emergenciais.
David Owen, principal economista financeiro da Jefferies para a Europa, diz: "As tensões persistirão até que os mercados se convencerem de que a zona do euro poderá voltar a crescer". Investidores temem que os testes de estresse não sejam vigorosos o suficiente. "Parece estar havendo uma certa calmaria no momento, com os investidores esperando os resultados dos testes de estresse", diz David Riley, diretor de finanças públicas soberanas e internacionais da Fitch Ratings.
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