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Testes de estresse podem frustrar expectativa de novas emissões
Valor Econômico - 15/07/2010 Patrick Jenkins e Jennifer Hughes, Financial Times
Bancos de investimento por toda a Europa começaram a lamber os beiços na semana passada, quando o Banco do Chipre, um dos 91 bancos que estão sendo testados por órgãos reguladores europeus para avaliar sua resistência a situações de estresse, anunciou uma emissão de direitos de € 345 milhões (US$ 440 milhões) para elevar o índice de capital de nível I para 8,4%.
Isso, alguns pensaram, seria a primeira de muitas captações de recursos, à medida que bancos por toda a Europa acionam planos para prevenir a ameaça de fracassar nos testes. Assim como os maiores bancos dos EUA captaram mais de US$ 30 bilhões há um ano, após um exercício de teste de estresse nos 10 maiores bancos americanos, os europeus fariam o mesmo, rezava essa teoria. Como era de se esperar, ontem circularam rumores de que outra emissão de direitos europeia - desta vez procedente de uma instituição de maior porte - estaria sendo articulada.
Por ora, contudo, após aquele turbilhão inicial de arrebatamento, parece que a maioria dos executivos de bancos aceita que poucos negócios, se é que haverá algum, de direitos de emissão acontecerão no horizonte próximo.
A maioria dos bancos com probabilidades de fracassar no teste são instituições do setor público, como as caixas de poupança da Espanha, ou "cajas", e o Landesbanken da Alemanha, com recurso quase automático a verbas de socorro federais.
Mas mesmo os bancos mais frágeis listados naquela conta de 91 instituições não aparentam ter qualquer captação de capital nos planos. Isso, apesar da expectativa generalizada de que 10 a 20 desses bancos anotariam um índice de capital de nível I pós-teste de estresse abaixo do nível de 6%, que, extraoficialmente, pelo menos, é a taxa mínima para passar os testes.
Segundo uma análise elaborada na semana passada pelo Credit Suisse, bancos incluindo o Dexia, da Bélgica, Postbank, da Polônia, Monte dei Paschi di Siena e a Banca Popolare di Milano, da Itália, seriam reprovados ou ficariam perto de fracassar no teste. Entre si, eles teoricamente necessitam de uma soma próxima de € 5 bilhões em capital novo, estimou o Credit Suisse.
O principal motivo para uma falta de planos para captação de capital entre os bancos listados é que eles não concordam com esse tipo de análise. O Monte dei Paschi di Siena, por exemplo, observa que seu índice de capital de nível 1 relativamente baixo, de 7,5% , será fortalecido até o fim do ano em aproximadamente 1,45 ponto percentual por meio de alienação de ativos.
O Credit Suisse voltou atrás na sua análise anterior, ontem, dizendo que agora ele espera que bancos como o Monte dei Paschi di Siena e o Postbank passarão no teste, afinal.
Mas esta não é apenas uma questão de resistência obstinada por parte dos bancos. "Um grande número de bancos ainda não sabe quanto precisarão captar", disse um experiente executivo de banco no distrito financeiro de Londres. Isso se deve em parte ao fato de o teste de estresse estar envolto em mistério e que não será divulgado antes de 23 de julho, mas também porque os bancos estão igualmente centrados no desfecho das mudanças nas normas de capital impostas pelos órgãos reguladores, que deverão ser publicadas em novembro pelo Comitê da Basileia sobre Supervisão Bancária, o órgão regulador internacional.
Há também uma explicação técnica. "Considerando que os resultados não sairão antes de 23 de julho, resta uma janela estreita para fazer qualquer coisa", diz um alto executivo de banco numa instituição financeira europeia. "A única opção plausível é uma acelerada avaliação de intenção de compras ("bookbuilding") antes de todos desaparecerem em agosto.".
Peter Guenthardt, responsável por mercados de renda variável no UBS, concorda. "Se eu acredito que testemunharemos uma onda de emissões de direitos na Europa? Não. Pode ser que tenhamos um pequeno número, mas esta não será uma captação de capital ao estilo dos EUA por todo o setor."
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