Desaceleração chinesa gera temor em investidores

Valor Econômico - 16/07/2010
Geoff Dyer, Financial Times, de Pequim

Ásia: Governo diz estar tranquilo em relação à redução do ritmo da atividade

A China cresceu 10,3% no segundo trimestre, comparado ao mesmo período do ano passado. Foi uma desaceleração em relação ao trimestre anterior, à medida que começam a fazer efeito os esforços do governo para esfriar o mercado imobiliário e os investimentos em infraestrutura. O ritmo de crescimento e outros dados divulgados ontem criaram temor entre os investidores de que a China pode estar desacelerando demais.

O número comparável do primeiro trimestre foi de 11,9%, quando muitos economistas temiam que a China estivesse perto de um superaquecimento. No primeiro semestre do ano, a economia cresceu 11,1%.

     

Embora o desaquecimento fosse esperado, outros indicadores sugeriram, ontem, que a economia pode estar esfriando mais rápido do que previsto, com uma queda na expansão da produção industrial de 13,7% em junho, ano a ano, dos 16,5% em maio.

O governo disse estar tranquilo quanto à redução no ritmo da atividade econômica. "A desaceleração ajudará a evitar o superaquecimento de nossa economia e ajudará na transformação do nosso modelo econômico", disse Sheng Laiyun, porta-voz do Birô Nacional de Estatísticas.

No entanto, o desaquecimento deixou nervosos os investidores, numa hora em que muitos esperavam que a China pudesse ajudar a sustentar uma recuperação mundial que mostra sinais perda de sustentação nos EUA e na Europa.

Isso também poderá colocar Pequim sob pressão interna para relaxar algumas de suas recentes medidas de contenção, especialmente no setor habitacional.

"Conseguir uma aterrissagem suave para o mercado imobiliário será realmente um sério problema", disse Liao Qun, economista-chefe do Banco Citic International. Uma desaceleração prolongada no setor imobiliário terá um impacto sobre muitos setores - do siderúrgico ao da produção de aparelhos elétricos de uso doméstico -, disse ele, mas as autoridades não querem relaxar a política antes de estarem convencidas da queda do preços.

A China publica números de crescimento em base anual, mas não divulga estatísticas sequenciais com ajustes de sazonalidade, que dariam uma ideia mais precisa do rumo da atividade econômica. As estimativas do setor privado variam consideravelmente: o Goldman Sachs estima a taxa de crescimento implícita no quarto trimestre em 8%, numa base anualizada, ao passo que o Standard Chartered a estima em 10%.

Embora o ritmo de novos empréstimos venha caindo desde o segundo semestre passado, a principal iniciativa de aperto econômico é a campanha que começou em meados de abril, como tentativa para limitar a especulação no mercado imobiliário e frear empréstimos a empresas de investimento operadas por governos locais.

O esfriamento da atividade parece ter tolhido o aumento da inflação. O IPC caiu de 3,1% em maio para 2,9% em junho.

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