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Passado o pânico grego, gestores agora veem oportunidades na Europa
Valor Econômico - 16/07/2010 Mike Dolan, Reuters, de Londres
Não se sabe se a zona do euro está no meio ou no fim de sua crise existencial de dívida soberana, mas os investidores começam a olhar de maneira diferente para os ativos da região e se perguntam se o pânico não foi exagerado. Poucos analistas seriam corajosos o suficiente para sinalizar que o perigo já passou, em meio à tempestade financeira que assola a região. Desencadeada pelas estatísticas duvidosas do governo grego, a crise expôs falhas no modelo da moeda única e se espalhou rapidamente para outros países da zona do euro altamente endividados.
As repercussões mundiais da crise resultaram em volatilidade nos preços das ações nos últimos meses. Os índices de volatilidade VIX, da Chicago Board Options Exchange, e o europeu V1XI dispararam para níveis não vistos desde a recessão mundial do biênio 2008/2009. Assustados com a falta de visibilidade econômica e com o aumento do risco político na Europa, os investidores se mexeram para reduzir a exposição às dívidas de governos da zona do euro. Também reduziram suas aplicações nos mercados de ações da região e no próprio euro enquanto moeda. As convicções quanto ao resultado provável da crise eram menos importantes que o fato de que era impossível ver um mapa do caminho.
Mesmo assim, após três meses inoculando nos preços os chamados "tail risks" - ou cenários mais pessimistas, de calotes soberanos em cascata a colapsos no sistema bancário e do euro -, os gestores de recursos estão novamente em busca de oportunidades para explorar na região. A ideia é aproveitar preços eventualmente distorcidos, já que agora há mais clareza sobre os desdobramentos da crise. A dúvida é se a fobia aos ativos em euro já cumpriu seu curso e se os dirigentes econômicos da União Europeia conseguiram criar uma barreira de segurança com seu pacote de socorro para os mercados de bônus em euro.
Passados dois meses, um relatórios mostra que as autoridades pelo menos alcançaram a primeira base - estabilizar os preços dos bônus com a compra seletiva pelo Banco Central Europeu (BCE) e acabar com a histeria que alijou a Grécia dos mercados de capitais. Os prêmios do mercado de dívida para os governos periféricos da zona do euro, com exceção da Espanha, estão abaixo dos níveis anteriores ao resgate. E, apesar de um rebaixamento da avaliação de crédito nesse meio tempo, a Espanha continuou vendendo bônus ao redor do mundo.
Os mercados de ações europeus subiram e a volatilidade, medida pelo índice V1XI, caiu quase à metade. Até mesmo o euro conseguiu voltar aos níveis anteriores ao resgate na comparação com o dólar. Até agora, tudo bem. Os governos do euro ganharam tempo para conseguir a aprovação do resgate pelos parlamentos dos países da região. Também adotaram os testes de estresse para tentar restituir a confiança nos bancos europeus.
Para os investidores, a névoa política começa a se dissipar e a visibilidade retorna. Com isso, eles já podem voltar a analisar as empresas. E eles acabaram encontrando um prêmio nos dividendos de "blue chips" europeias em relação aos bônus governamentais. Dados da Thomson Reuters mostram que esses prêmios estão quase dois pontos percentuais acima das médias históricas. "A Europa é no momento um lugar interessante para se investir", diz Henry McVey, diretor de alocação de ativos da Morgan Stanley Investment Managers.
O otimismo dos investidores está se virando mais para as "value stocks" do que para as "growth stocks". Para McVey, "as companhias financeiras e de energia da Europa estão com preços mais atraentes".
Dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostram que os contratos que apostam na queda do euro (posições vendidas) caíram a um terço em relação aos picos registrados em maio. Até mesmo a demanda mundial por títulos de dívida de governos europeus voltou a crescer, como demonstra a venda de bônus pela Espanha. A zona do euro não implodiu de uma hora para outra e, apesar do trabalho árduo que tem pela frente, o mundo dos investimentos não poderá ignorar a segunda maior economia do mundo por muito tempo mais. (Tradução Mario Zamarian)
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