Exigência cria oportunidade para novos negócios no setor

Valor Econômico - 21/07/2010
De São Paulo

 Se de um lado as empresas de energia estão preocupadas com os R$ 2 bilhões que precisam aplicar em programas de eficiência energética e pesquisa, de outro, elas já estão buscando meios de também lucrar com esse movimento vendendo esses serviços a terceiros.

A Endesa, holding que abriga distribuidoras Ampla e Coelce, está criando uma nova companhia de eficiência energética. "O setor de energia é muito regulado. Quem pauta a rentabilidade é a Aneel, praticamente. É preciso buscar um ganho nos serviços não-regulados", diz André Moragas, diretor de relações institucionais da Ampla. Outra vantagem que a companhia vê em entrar no segmento de eficiência energética é o fato de a empresa, em vez de perder, ganhar com a preocupação dos clientes em reduzir as despesas com energia.

No mês passado, a Light também demonstrou o apetite que tem pelo setor: comprou 51% da Axxiom Soluções Tecnológicas por R$ 4 milhões. Segundo o presidente da empresa, Jerson Kelmann, o objetivo é usar a empresa para desenvolver programas de pesquisa e desenvolvimento.

A Light já possui uma empresa de eficiência energética, a Light Esco, que recentemente vem ganhando mais atenção dentro dos planos de crescimento da distribuidora. Dentro dela, está a EBL, uma companhia que tem como foco a redução do consumo de energia no setor de telecomunicações. Além da própria Light, a EBL tem como sócios a BR Distribuidora e a Ecoluz, uma empresa especializada em eficiência energética.

Esse movimento das distribuidoras encontra justificativa no que vem acontecendo com as companhias que já prestam serviços especializados. Elas são desconhecidas dos consumidores e estão bem longe da casa dos bilhões de faturamento, mas em meio à onda de investimento estão com agenda lotada de clientes e já começam a entrar no radar dos investidores.

"Há muitos processos de concorrência na rua dos mais diversos setores, acompanhando uma tendência mundial", diz Ricardo David, conselheiro da Ecoluz, que tem um fundo da Rio Bravo como sócio. A empresa projeta alcançar um faturamento de R$ 12,5 milhões este ano, o dobro do registrado em 2009.

Na APS Soluções em Energia, que recebeu um aporte de R$ 10 milhões do fundo da DGF, a agenda dos funcionários está lotada até setembro, sem espaço para novos trabalhos. (JG e CM)

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