Angela Kuhlmann
Especial para Agência Anhanguera
angelak@rac.com.br
Eles formam um time de medalhões, notáveis, celebridades, e até mesmo desconhecidos do grande público, mas movimentam cifras milionárias embora não existam balanços oficiais. São os integrantes do “clube dos gurus”, formado por palestrantes profissionais, segmento onde sempre cabe mais um. De profissões as mais variadas, eles cobram cachês por cada evento cujo valor varia conforme o peso de cada nome. Os mais desconhecidos descolam até R$ 3 mil enquanto os mais famosos e experientes podem chegar perto dos R$ 45 mil por apenas duas horas de apresentação. O valor ainda é distante do “top” brasileiro desta lista, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, embora não confirme, cobra a bagatela de US$ 50 mil por palestra (cerca de R$ 133 mil).
Em plena ascensão, esse mercado ainda é considerado incipiente mas já começa a se profissionalizar. Um dos sinais disso foi a abertura de pelo menos quatro “speakers bureaus” – como são chamados os intermediários que agenciam o palestrante – nos últimos seis anos no Brasil. No entanto, é ainda um número insignificante se comparado aos Estados Unidos, onde mais de 400 bureaus fazem o ‘meio de campo’ para milhares de gurus, entre eles, Tom Peters, Jack Welch e muitos outros que inclusive já estiveram no Brasil.
Segundo os agenciadores, dos 10 ou 12 palestrantes de renome que haviam há pouco mais de dois anos, entre eles Ricardo Semler, autor do best-seller mundial Virando a Própria Mesa, e de Lair Ribeiro, o guru dos temas motivacionais, hoje são cerca de 150 os que se dedicam parcial ou integralmente ao novo mercado.
Muitos estão em ascensão e um dos mais requisitados é o técnico da seleção brasileira de vôlei masculino, Bernardinho, cujo cachê respeitável evoluiu dos iniciais R$ 5 mil para os atuais R$ 35 mil na mesma velocidade com que foi conquistando títulos. Outro campeão no quesito preço é o técnico Carlos Alberto Parreira que cobra R$ 40 mil por apresentação. Mas o também campeão Mário Lobo Zagallo vale um pouco mais e chega aos R$ 42 mil.
Embora a lista esteja recheada de outros vitoriosos no esporte como Lars Grael (R$ 25 mil), Magic Paula (R$ 7 mil) e Nuno Cobra (R$ 10 mil), além do próprio Bernardinho, figurões de outras áreas também invadem esse campo com freqüência. Os psiquiatras Içami Tiba e Roberto Shinyashiki estão no topo da lista acompanhados por vários especialistas da área de gestão de carreira e negócios, com destaque para César Souza, autor de vários sucessos focados na gestão profissional, entre eles, Você é do Tamanho dos Seus Sonhos e O Momento da Virada.
Recentemente contaminada pelo ‘vírus’, a gastronomia acaba de aderir ao clube na figura do experiente chef Laurent, dono do festejado restaurante homônimo em São Paulo. Embora novato como guru, ele morde uma fatia considerável desse bolo e acrescenta à sua conta bancária entre R$ 8 mil a R$ 10 mil por evento.
Inovação é palavra-chave neste segmento
Mas, se aderir ao time pode ser muito fácil para muitos deles, permanecer é que são elas. “Foi-se o tempo em que a mesma palestra era repetida de Norte a Sul do País. Hoje, é necessário não só inovar como falar exatamente aquilo que cada contratante deseja que seja transmitido à determinada platéia”, revelou a diretora do Palavra Speakers Bureau, de São Paulo, Priscila David, que completou seis anos no mercado e hoje detém 50 nomes na carteira.
Segundo ela, em muitos casos, a consolidação da carreira acontece por mero acaso; em outros, é planejada. No entanto, são poucos os que vivem exclusivamente de seu lado guru. “A maioria ainda conjuga a nova atividade com consultoria ou outra ocupação”, disse ela.
Priscila explica que para entrar no time é condição básica ter uma carreira bem-sucedida e muito conhecimento da área em que atua, facilidade de transmitir conteúdo de forma leve e até mesmo engraçada, boa retórica, ser vitorioso, ou ter alguma boa história para contar. Para os que são famosos ou celebridades em alguma área o acesso é praticamente instantâneo enquanto que para os anônimos, a consolidação nesse universo é mais lenta.
No entanto, escrever um livro que vingue no mercado pode ser um atalho para engordar rapidamente o cachê. É o caso do executivo da Dana, Luciano Pires, que após fazer uma viagem ao Pico do Everest escreveu o livro Meu Everest, contando a experiência. O livro já é um dos best-seller do mercado editorial do mais novo foco das editoras, o mercado de gestão de negócios e de carreira, que juntamente com o de auto-ajuda produziu 3,5 milhões de títulos em 2004, segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL).
Outro que está em ascensão é o especialista em marketing e vendas e autor de dinâmicas palestras motivacionais, Cláudio Tomanini. De acordo com a gerente de relacionamento do speakers bureau Palestrate, Catarina Moraes, Tomanini tem como maior virtude entender o que a empresa precisa e fazer a palestra sob medida, “um requisito fundamental para quem quiser se manter nesse mercado” , explicou ela.
Palestrante já lançou cinco livros
Do time de 120 gurus cadastrados na Palestrate, Mario Persona é dos mais solicitados e está permanentemente com a agenda cheia. Natural de Limeira, onde mora, ele abandonou a Arquitetura quando “descobriu” seu jeito para a comunicação. A ‘escola’ foi a experiência que adquiriu em negociação nos períodos em que trabalhou no Banco Itaú e na Companhia do Metrô de São Paulo, conta ele.
“Comecei a fazer palestras nas próprias empresas onde trabalhava e a escrever textos na área de marketing e comunicação. Como as solicitações começaram a aumentar, acabei deixando meu emprego fixo há três anos e hoje me dedico às palestras e escrevo textos para o meu próprio site que já conta com 8,5 mil páginas na internet”, comentou ele.
Atualmente ele recebe em média duas solicitações por dia e realiza até 10 palestras ao mês a convite de empresas de todo o Brasil com predominância da capital paulista, Rio de Janeiro, Nordeste e Rio Grande do Sul.
Persona não revela quanto cobra por palestra mas deixa escapar que pode variar de R$ 4 mil a R$ 8 mil dependendo da empresa e do preparo de cada apresentação. Ele não nega que os cinco livros de sua autoria, escritos no decorrer de sua carreira, serviram para alavancar seu nome nesse competitivo mercado. Neste mês ele está lançando mais um título – Marketing de Gente – pela Editora Futura.
Ele conta que desenvolve temas específicos de sua área em suas palestras mas se auto-denomina um contador de histórias. “Normalmente tenho alguns temas que a empresa solicita que transformo em histórias engraçadas e bem-humoradas, contadas numa linguagem acessível, divertida, mas conceitual”, acrescentou ele.
Segundo ele, é importante que a pessoa que contrata saiba o que quer e os objetivos que quer atingir e o tipo de público para o qual o palestrante vai falar. “A maior dificuldade hoje é saber o que a empresa está buscando”, concluiu ele.
Ranking
Fernando Henrique Cardoso
US$ 50 mil
Mário Lobo Zagallo
R$ 42 mil
Carlos Alberto Parreira
R$ 40 mil
Bernardinho
R$ 35 mil
Lars Grael
R$ 25 mil
Roberto Shinyashiki
R$ 20 mil
César Souza
de R$ 12 mil a R$ 15 mil
Chef Laurent
de R$ 8 mil a R$ 10 mil
Luciano Pires
de R$ 8,5 mil a R$ 10 mil
Vilfredo Schurmann
R$ 13 mil
Ilusionista Carlos Hilsdorf
R$ 12 mil
Nuno Cobra
R$ 10 mil
Mário Persona
de R$ 4 mil e R$ 8 mil
Mailson da Nóbrega
R$ 8 mil
Gustavo Loyola
R$ 8 mil