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Data

18/06/2021

Tempo de Leitura

5 minutos

Podcast 650 – Pedro Somma: “A Quicko é o Waze do transporte público”

Podcast 650 – Pedro Somma: “A Quicko é o Waze do transporte público”

Data

18/06/2021

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5 minutos

Entrevistado no Podcast Rio Bravo, Pedro Somma achou graça quando foi questionado a respeito de quantas vezes a Quicko, aplicativo que permite ao usuário encontrar a melhor forma de chegar ao seu destino, teve de passar por ajustes. “Nas startups, nós comentamos que somos uma empresa diferente a cada três meses, e a Quicko, nesse sentido, segue bastante esse princípio”. Para Somma, isso tem a ver não somente com as demandas tecnológicas por atualização, mas também está relacionado ao próprio ambiente e ciclo de vida do aplicativo, que conta, também, com a resposta dos usuários, que contribuem para o funcionamento do serviço.

Para entender o significado do serviço oferecido pela Quicko, é preciso olhar para o tema mobilidade urbana de forma mais abrangente. Isso porque a Quicko não se apresenta apenas como mais um serviço de tecnologia ligado ao segmento da mobilidade urbana – ao longo da última década, aliás, não foram poucos os serviços que apostaram, e lucraram, bastante com isso. O debate de fundo que Pedro Somma discute no Podcast Rio Bravo envolve uma reflexão sobre o futuro das cidades, seguindo a rota traçada pela mobilidade como serviço.

No trecho a seguir, ele explica o que o conceito quer dizer.

“Mobilidade como serviço é um conceito recente, usado para explicar o fato de as pessoas não terem os meios de transporte, mas utilizarem o que as cidades oferecem para elas. Também quer dizer integrar tudo isso colocando a experiência de cada uma das pessoas no centro da discussão. Na Europa, isso serve para explicar, por exemplo, porque é importante integrar pagamentos, integrar dados, e permitir que as pessoas tenham todos esses serviços na palma da mão delas no telefone celular”.

Na Europa, aliás, onde o assunto é discutido há mais tempo, já existem exemplos de cidades que operam de acordo com essa nova dinâmica. Nesse caso, a relação com os entes públicos é fundamental, observa Somma. “Em Londres, a secretaria de transportes da cidade abriu os dados e viu o surgimento de mais de 500 plataformas de mobilidade em menos de um ano. Quando o governo trabalha em prol da abertura de dados em parceria com o setor privado, existe oportunidade tanto de negócio quanto de melhoria de serviços para a população”.

No Brasil, a Quicko é a primeira empresa a operar com essa abordagem em grandes cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Quando perguntado se a atuação nessas capitais permitiu algum aprendizado à startup,

a resposta não poderia ser mais conclusiva: “O primeiro grande aprendizado que nós tivemos foi o seguinte: a mobilidade é local. A depender de onde estamos, vivemos a mobilidade de forma muito diferente – e isso também envolve a nossa renda e qual é a nossa necessidade, para além de outros critérios”.

Além disso, o executivo destaca que, hoje em dia, as pessoas buscam alternativas para se deslocar sempre pensando na que é mais segura, mais rápida e mais conveniente.  Outro ponto está relacionado ao fato de que, cada vez mais, as pessoas esperam que a jornada seja digital. Ou seja, que a jornada esteja disponível via app.

Investimento

Recentemente, a Quicko anunciou nova rodada de investimentos (100 milhões de reais). Pedro Somma explica quais os caminhos a seguir a partir daqui. “Queremos tornar o aplicativo mais rápido, mais moderno e com informações mais úteis para os nossos usuários. Nosso objetivo é alcançar mais dez regiões metropolitanas até o fim do ano”.

Aplicativos como a Quicko mostram o quanto as transformações tecnológicas têm feito com que as cidades se tornem conectadas – o que, de um lado, é sinal de um caminho sem volta, haja vista o número de pessoas que têm acesso à conexão via telefone celular. Por outro lado, no entanto, surge uma questão: será que esse avanço não escancara a desigualdade, uma vez que há quem não consiga participar adequadamente dessa integração por viver em regiões mais vulneráveis?

Para responder à pergunta acima, Pedro Somma cita um exemplo de como a tecnologia pode mitigar o impacto das distâncias. “Uma turma de Brasilândia, região vulnerável na Zona Norte de São Paulo, desenvolveu um aplicativo, JaUBra, para cobrir os outros apps de transporte por carro que não buscavam as pessoas ali. Então, por meio de uma tecnologia de integração, eles conseguiram tornar a região mais acessível. E a Quicko tem feito isso, aproximando as pessoas nas cidades”

Para chegar mais perto desse horizonte, Pedro Somma entende que é preciso superar um obstáculo: a infraestrutura das cidades brasileiras foi pensada para os automóveis, de modo que são comuns calçadas de difícil acesso para os cadeirantes ou pontos de ônibus sem cobertura para os usuários. Ele defende uma mudança de chave: “Pensar a mobilidade como serviço é torná-la mais acessível para as pessoas a partir da experiência delas e, na sequência, é construir uma cidade cada vez mais aberta para que todo mundo caminhe e aproveite do que já está disponível em vez de nos isolarmos cada vez mais em carros”.

A entrevista completa de Pedro Somma, CEO da Quicko, está disponível a partir do link acima.

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