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Data

23/08/2021

Tempo de Leitura

5 minutos

Podcast 659 – Maurício Ramos: “A história de Pinheiros está sendo varrida pelo crescimento urbano”

Podcast 659 – Maurício Ramos: “A história de Pinheiros está sendo varrida pelo crescimento urbano”

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23/08/2021

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“A história de Pinheiros está sendo varrida pelo desenvolvimento urbano”, afirma conselheiro municipal de política urbana

Faz algumas semanas, a capital paulista viu ganhar força uma disputa em torno da verticalização de um quadrilátero na região de Pinheiros. Mais do que uma queixa de bairro, a controvérsia envolve uma discussão mais profunda sobre os rumos do desenvolvimento urbano da cidade de São Paulo. E não só: essa discussão mostra como a participação da comunidade pode, sim, mudar a relação dos moradores para com sua comunidade. Para falar a respeito desse tema, nosso convidado no Podcast Rio Bravo é Maurício Ramos, Conselheiro Municipal de Política Urbana, membro da Frente Parlamentar Ambientalista e co-fundador do Coletivo das vilas Beatriz, Ida e Jataí.

Logo nos primeiros momentos da conversa, Ramos conta a sua história, fator determinante para se envolver, anos depois, com a política urbana. “Minha família veio para a região de Pinheiros no final da década de 1960 – me lembro, inclusive, de ter mudado para a rua Mourato Coelho na época da Copa do Mundo de 1970”. Mais ou menos nesse período, a Vila Madalena começaria a se transformar com a chegada de bares e do comércio. A família de Ramos se mudaria, então, para a região da praça das Corujas, “buscando sempre manter uma vida urbana e mais tranquila”.

Essa recordação é importante porque, a partir do seu complemento, é possível identificar as origens de um vínculo mais afetivo para com a região de Pinheiros e suas imediações. Dito de outro modo, de acordo com Maurício Ramos, as inúmeras transformações descaracterizaram a história do bairro. “Não que eu seja contra a verticalização, mas a história do bairro vai sendo varrida por esse crescimento urbano”.

Quando questionado se não se trata de uma consequência esperada do crescimento da cidade, antes de ser uma questão exclusiva da região de Pinheiros, Maurício Ramos destaca que a origem do problema está na elaboração do Plano Diretor. Nas palavras do entrevistado: “Para começar, o Plano Diretor estratégico cometeu um erro grave. Ele vem do topo para a base e deveria ser o contrário, da base para o topo. As pessoas de cada região têm um anseio, uma necessidade. São diversas cidades dentro de uma cidade só. Não é possível comparar a situação de Pinheiros com a de Parelheiros; ou de Pinheiros com a de Higienópolis; ou de Pinheiros com a do Brooklin, do Ibirapuera, ou de Moema. Cada uma dessas regiões tem a sua peculiaridade”, explica.

Maurício Ramos sugere, então, o que deveria ser feito em termos de proposta para o desenvolvimento urbano: “Em primeiro lugar, um plano de bairro, ou um plano regional. Porque, então, os próprios moradores dizem o que eles querem para as suas respectivas regiões onde vivem. E não é alguém do poder público que vai ditar ou alguém do mercado”. Na opinião do entrevistado do Podcast Rio Bravo, a função do poder público deveria ser regular esse desenvolvimento.

Já ao comentar a situação do quadrilátero horizontal de Pinheiros, Ramos fala da importância das raízes do bairro. “Estive lá e conheci as pessoas, gente que conta a história do bairro. E eu acho que eles têm o direito de não querer do lado da casa deles um monstro de 40 andares. Ali é uma região que está bem sobrecarregada”. 

Na esteira dessa discussão, Ramos fala do impacto ambiental da região. “Todos vão cavar um subsolo de 30 metros, atingem o lençol freático e depois, durante a construção, a água barrenta desce na galeria de água fluvial e vai desembocar no Córrego das Corujas. É horrível isso”, comenta o entrevistado.

Maurício Ramos concorda quando dizem que São Paulo é uma cidade segregada, mas ressalta que não é construindo empreendimentos de alto padrão que essa situação será resolvida. “É preciso construir onde precisa e para quem precisa, e não colocar um equipamento de altíssimo luxo ao lado de uma Zona de Estruturação Urbana”.

As construtoras têm um papel importantíssimo, admite Ramos, atentando para o fator geração de empregos, mas afirma que é preciso construir a cidade de forma mais inteligente. “Não tem estrutura para tanta gente no mesmo quarteirão. Aqui está saturado, mas em outras áreas precisa, sim, de investimento”. Ramos cita como exemplo de modelo de adensamento bem-sucedido, atento às especificidades da região, o caso da Vila Leopoldina, que remonta ao início dos anos 2000. “Tem prédios maravilhosos, a qualidade de vida está muito boa. Mas ali tem empreendimentos muito bons para morar. Então, não adianta sobrecarregar o lugar. Tem que distribuir”, reitera.

Ao final da entrevista, Maurício Ramos afirma que tem esperança de que o Plano Diretor seja alterado. “A revisão do Plano Diretor é complexa. Mas eu tenho, sim, esperança de que possa ser feito um processo em benefício da cidade”.

O link para a íntegra do Podcast Rio Bravo está disponível acima.

Fabio Silvestre Cardoso é jornalista e produtor do Podcast Rio Bravo

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