podcasts

podcasts

Data

09/07/2021

Tempo de Leitura

5 minutos

Podcast 653 – Samuel Seibel “A livraria física não deve entrar em leilão de preço”

Podcast 653 – Samuel Seibel “A livraria física não deve entrar em leilão de preço”

Data

09/07/2021

Tempo de Leitura

5 minutos

Pesquisa realizada pela Nielsen em parceria com a Câmara Brasileira do Livro e com o Sindicato Nacional dos Editores dos Livros crava que, na pandemia, houve um acréscimo de 83% nas vendas de e-books. Esse indicador, a princípio, poderia desestimular qualquer iniciativa das livrarias físicas. No entanto, isso não pareceu desencorajar Samuel Seibel, presidente da Livraria da Vila, a investir na expansão das lojas da sua rede. Esse foi o mote da entrevista que Seibel concedeu ao Podcast Rio Bravo.

Antes, vale a pena resgata a história pessoal do livreiro. A trajetória dele, aliás, é bastante singular. Jornalista de formação, Samuel Seibel escreveu para veículos como Folha de S.Paulo, Quatro Rodas, Placar e Veja. Ainda nos anos 1980, foi trabalhar nas empresas da família e só em 2002 decidiu mudar o que fazia e buscar realização junto a uma de suas paixões, os livros.

Se, por um lado, poder transformar sua paixão em atividade profissional é a realização de um sonho, de outro, também é verdade que existem inúmeros desafios que se impõem quando o dia a dia do trabalho exige atenção para com os detalhes e diligência para as características do negócio. No caso do livro, não é diferente. Nesse sentido, ao Podcast Rio Bravo, Seibel destacou que, no período anterior à pandemia, o cenário que se apresentava era promissor para o segmento das livrarias, ainda que duas grandes redes, Livraria Cultura e Livraria Saraiva, atravessavam momento de grave crise. “De meados de 2018 ao início de 2020, foi um período muito bom, com crescimento forte, e a tendência era seguir esse rumo”.

 A pandemia foi um ponto de virada nessa rota ascendente. Não apenas as livrarias, mas outros setores do comércio foram afetados com a pandemia e com o impacto das medidas restritivas. Ainda assim, no caso da Livraria da Vila, isso não se refletiu em demissões de funcionários. “Nós fomos, sim, bastante atingidos. No entanto, nós mantivemos nosso quadro e não demitimos ninguém, justamente pensando em como essa situação pode se acomodar e no retorno às atividades”.

A menção aos funcionários não é por acaso. Quem já teve a oportunidade de ser atendido por um dos colaboradores da Livraria da Vila sabe que se trata de outro nível de atenção e cuidado. Samuel Seibel explica: “Nós nos definimos como um ponto de encontro, um local de conexão entre pessoas e livros e com uma curadoria que busca ser bastante abrangente e qualificada. Ou seja, nós trabalhamos com uma diversidade muito grande de assuntos, de editoras e de autores e, ao mesmo tempo, com atendimento feito por pessoas leitoras. Nossos livreiros adoram o que fazem, leem e têm capacidade de sugerir novidades e lançamentos e mesmo clássicos”.

Em outro momento da entrevista, Seibel comenta o impacto da chegada de gigantes do comércio eletrônico, como a Amazon, ao negócio de venda de livros. Para o presidente da Livraria da Vila, a questão tem a ver não apenas com o consumo, mas, essencialmente, com a forma como a sociedade se organiza a médio e longo prazo. “Essa posição da Amazon e de outros players de oferecer descontos mais agressivos é muito difícil porque é quase como entrar num campo sociológico de como as pessoas preferem exercer seu direito de compra. Acho que a discussão sobre a decisão do hábito é muito profunda”.

Seibel atenta para o fato de que as lojas físicas não têm como se manter se, no longo prazo, obedecerem à corrida frenética dos preços mais baixos a qualquer custo. “As lojas físicas não vão continuar de maneira saudável se entrarem no leilão de preços. Pode ser que as pessoas deixem de ser gregárias, ou que não se reúnam mais, e que não queiram frequentar uma loja física. Acho que vai ser uma pena para a nossa sociedade. Mas eu não vou querer estar em uma cidade que não tenha livrarias, por exemplo”, observa.

Talvez por esse motivo a expansão das lojas faça sentido nesse momento. A Livraria da Vila chega agora em regiões onde antes não estava presente, como a Zona Leste da capital paulista e em São Caetano. “Nós mapeamos, de acordo com a nossa visão, onde seria um desejo estar presente. Com a pandemia, demos um freio nessa iniciativa, mas ainda em 2020 surgiram oportunidades em dois empreendimentos da Multiplan e mesmo no shopping Eldorado, que fica numa região onde já estávamos presentes, mas está na lista de shoppings bem-sucedidos”.

Ao final da entrevista, Samuel Seibel reforçou a importância da diversidade de conteúdo e de incentivos para a formação de leitores. “Toda iniciativa que desmistifica o livro e o torna mais acessível é válida. Os livros não mudam o mundo. Os livros mudam as pessoas. E são as pessoas que mudam o mundo”.

A entrevista completa de Samuel Seibel, presidente da Livraria da Vila, pode ser acessada a partir do link acima.

Fabio Cardoso é jornalista e produtor do Podcast Rio Bravo.

Conteúdos relacionados

...
05/08/2022
Dicas de Leitura – 05/08/2022

Sexta-feira, 05 de agosto de 2022 A política fiscal devia voltar aos fundamentosNeste artigo do...

...
05/08/2022
Podcast 709 – Matias Fernandez: A estratégia da Karvi e as soluções para o comércio de automóveis

Nos últimos anos, o mercado de carros usados tem estado bastante aquecido. Só que o processo de...

...
05/08/2022
Dicas da Semana – A inclusão começa por você 05.08.2022

Temos datas importantes na luta pela Diversidade e Inclusão para serem celebradas no mês de...

Quer saber mais?

Cadastre-se para receber informações sobre nossos fundos