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A Assembleia Geral da ONU e o futuro da guerra na Ucrânia

78ª  Assembleia Geral das Nações Unidas e a guerra na Ucrânia!

Como se dizia por muito tempo durante a Primeira Guerra Mundial, nada de novo no front ocidental. Essa também é a imagem hoje na Guerra na Ucrânia. A ofensiva ucraniana não está avançando rapidamente como muitos imaginaram que seria, o que trouxe receios sobre o futuro do conflito e do país.

Gunther Rudzit

78ª  Assembleia Geral das Nações Unidas

Foi nesse quadro de incerteza que ocorreu a 78ª  Assembleia Geral das Nações Unidas, quando as lideranças globais procuram indicar suas preocupações para os outros Estados membros. Chamou a atenção o discurso do presidente Lula por não colocar a guerra na Ucrânia como tema central da sua fala, e sim, a ideia de mudanças das instituições multilaterais.

O mais próximo que chegou foi dizer que é necessária uma reforma do Conselho de Segurança (CS) porque a guerra na Ucrânia “escancara a incapacidade coletiva de mediar conflitos”, demonstrando, mais uma vez, a visão idealizada que ele e o assessor de relações internacionais da presidência, embaixador Celso Amorim, têm do funcionamento do CS.

Geopolítica e resolução de conflitos

O CS é um fórum permanente para manter o diálogo entre os Estados, principalmente, entre as grandes potências. O órgão somente conseguiu resolver conflitos quando houve a convergência dos interesses dos cinco permanentes, como foi a Guerra do Golfo em 1990/91. Quando não houve, conflitos aconteceram, como foi a invasão do Iraque em 2003, e durante praticamente toda a Guerra Fria.

Por isso, hoje tornou-se impossível essa convergência, já que estamos no início de mais um período de configuração bipolar com uma percepção de jogo de soma zero.

Nesse sentido, tem sido frequente o uso de expressões como “Nova Guerra Fria” e “Guerra Fria 2.0”, tendo como grande diferença que ainda há hoje forte interdependência econômica entre Estados Unidos (e aliados) e China (e aliados).

Por isso, os discursos na ONU não trouxeram muita esperança de um fim rápido para a guerra. Muito pelo contrário. Haja vista a fala do ministro das relações exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, para quem a proposta de paz da Ucrânia é completamente não realizável.

Ele se referiu à proposta ucraniana de 10 pontos, tendo como princípio básico a integridade territorial e soberania do país serem restauradas, seguindo os preceitos do direito internacional. Completando, Lavrov disse que, se Kyiv e seus aliados ocidentais se mantiverem irresolutos quanto a isso, o conflito será resolvido somente no campo de batalha.

A declaração é o recado mais explícito de que, na medida em que os dois lados ainda tiverem a percepção de que podem ganhar a guerra, os dois países não se verão impelidos a negociar. Assim, enquanto o Ocidente continuar a mandar equipamentos militares e munição, os ucranianos persistirão na batalha.

De sua parte, o Kremlin acredita que conseguirá impedir a vitória ucraniana, posto que chegará um ponto em que os governos ocidentais terão que diminuir ou parar de fornecer a ajuda militar por pressão de seus eleitores.

O resultado é que não há perspectiva de se chegar ao fim da guerra tão cedo. Em poucas semanas, as chuvas voltarão, tornando a movimentação no campo de batalha bastante difícil. Logo depois, virá o inverno, fazendo com que o combate seja impraticável. E assim, entraremos no terceiro ano da guerra, e sem perspectivas de que seja o último.

Gunther Rudzit é professor de relações internacionais da ESPM 


[1] O professor Gunther Rudzit falou sobre o tema Guerra na Ucrânia em entrevista concedida ao Podcast Rio Bravo no primeiro semestre deste ano. O conteúdo está disponível a partir do link a seguir: https://soundcloud.com/riobravoinvestimentos/podcast-739-gunther-rudzit-a

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