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Dicas da Semana – A inclusão começa por você 28/10/2022

Hoje vamos continuar a falar sobre diversidade religiosa  e algumas religiões com forte influência no Brasil, como as de matrizes africanas: a escravidão colocou em contato as religiões de diferentes povos africanos, que acabaram por assimilar e trocar entre si elementos semelhantes de suas culturas. Assim se sobrepuseram e se fundiram ritos de origem distinta num amálgama comum de que surgiram as religiões afro-brasileiras.

De uma perspectiva histórica, todas essas formas de religiosidade foram vistas pelos colonizadores europeus e cristãos como perigosas expressões de idolatria e pecado. Ainda hoje persiste essa visão que associa expressões religiosas afro-brasileiras como o candomblé e a umbanda a ritos demoníacos de feitiçaria.

As religiões afro-brasileiras recebem nomes diferentes dependendo do lugar e do modelo de seus ritos. No Nordeste, por exemplo, há o Tambor-de-mina maranhense, o Xangô pernambucano e o candomblé baiano. Temos também a Cabula no Espírito Santo, o Catimbó na Paraíba, a Quimbanda na Bahia. No Rio de janeiro e São Paulo prevalecem a umbanda e o candomblé e no Sul, o batuque gaúcho.

Falaremos hoje, sobre as 2 religiões africanas mais conhecidas no Brasil:

Candomblé

O candomblé é mais antigo e está muito mais próximo dos ritos africanos, pois é uma junção mais pura e direta dos diversos cultos africanos trazidos pelos negros escravizados. Estima-se que surgiu na Bahia e espalhou-se, primeiramente, por terras nordestinas. Os rituais do candomblé são muito mais parecidos com os rituais africanos, com batuques, danças e oferendas. Como advém de povos diferentes, essa religião não é praticada de maneira única e possui, ao menos, quatro denominações diferentes:

  • Ketu, de tradição yorubá, dos povos nagô;
  • Jeje, de tradição fon, dos povos jeje;
  • Bantu, de tradição bacongo, dos povos angolanos;
  • Caboclo, junção das entidades africanas e dos espíritos cultuados pelos povos indígenas;”

Nos rituais do candomblé, são feitas oferendas (geralmente comidas típicas) para agradar aos orixás, acompanhadas de batuques e dança. As batucadas e os cantos que acompanham a música variam de acordo com a origem da denominação em prática no terreiro. Os ketus, por exemplo, têm cantos entoados em yorubá (língua dos povos daquela etnia), enquanto os bantus (angolanos) entoam cânticos em bantu bacongo.”

Umbanda

Nascida no Brasil em 1908 por meio de um jovem chamado Zélio Fernandino de Moraes, a umbanda (palavra originada do dialeto quimbunda que significa curandeirismo ou arte da cura) é uma religião afro-brasileira que sincretiza elementos dos cultos africanos com elementos das religiões indígenas, do catolicismo e do espiritismo kardecista. A Umbanda possui três princípios básicos que são: fraternidade, caridade e respeito ao próximo.

Os umbandistas, em seus rituais, tocam batuques e cantam cânticos sagrados em português, além de receberem incorporações (por meio dos médiuns) das entidades, que têm o poder de curar, aconselhar, avaliar e modificar a vida das pessoas. Por ser uma religião de crença bastante imanente, os espíritos ou entidades têm uma ligação muito forte com a vida terrena, por isso, têm ligação com elementos presentes na vida material como o consumo de fumos, de comidas e de bebidas (algumas alcoólicas) para realizarem o que chamam de trabalho (a incorporação no terreiro durante o ritual). Estas representações se ligam a uma simbologia sagrada para tais religiões e devem ser respeitadas. O sacerdócio em terreiros de umbanda é exercido pelo Pai de Santo (caso seja homem) ou pela Mãe de Santo (caso seja mulher).

A diversidade religiosa caracteriza-se pela existência de grupos religiosos diferenciados, coexistindo num mesmo espaço social, onde a tolerância ( matriz principal do respeito à liberdade humana) permite que numa sociedade aberta, a convivência dessas diferenças oportunize um diálogo mais concreto. O produto é a valorização da própria vida espiritual e a consciência ampliada da diversidade da existência humana. Porém, na realidade, vemos que essa diversidade se tornou objeto de intolerância, gerando hostilidade, e de ódio irracional

Lembre-se: a diferença está no detalhe, empatia é fundamental e sempre é tempo de mudarmos nossa forma de pensar e agir.

Aguarde, na próxima sexta-feira, mais dicas para você.

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