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Data

19/07/2022

Tempo de Leitura

5 minutos

Hapvida

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Setor de saúde

O preço das ações do setor de saúde brasileiro caiu entre 20% e 30% no acumulado do ano, contra -4,5% do Ibovespa. Olhando para os diferentes segmentos desse setor, os hospitais são as empresas que mais sofreram nesses meses do 2022 (com uma queda na faixa de 30%). O desempenho fraco das empresas de saúde é resultado do aumento das taxas de juros no Brasil (os hospitais têm uma duration alta do fluxo de caixa) e do impacto inflacionário.

A Hapvida também contribuiu para o fraco desempenho do setor no ano, com uma queda de – 46% no YTD, atribuída a um desempenho operacional mais fraco do que o esperado nos últimos trimestres, principalmente no crescimento orgânico de membros e MLR mais alto (o índice de sinistralidade médica, MLR, é a parcela do total de prêmios de assistência médica gastos em sinistros médicos e esforços para melhorar a qualidade do atendimento).

Por outro lado, as empresas farmacêuticas compensaram parcialmente esse impacto. Isso foi apoiado principalmente pelo desempenho de Hypera (+45% no YTD), já que a empresa continua com forte impulso de ganhos com crescimento das vendas acima do mercado pelo quinto trimestre consecutivo.

Focando nas operadoras de saúde, a discussão começa com o cenário macro desafiador, que deve pressionar o preço das ações dessas empresas. A piora das condições econômicas deve persistir por algum tempo e impactar o poder de compra das famílias. Por isso, a previsão é de fraco crescimento no número de beneficiários de planos individuais.

Outro fator relevante é que o mercado de saúde brasileiro tem crescido historicamente em linha com o mercado de trabalho, pois os empregos formais costumam agregar o benefício de planos de saúde patrocinados por empresas. Nesse contexto, uma taxa de desemprego acima do esperado pode limitar o espaço de crescimento das operadoras de saúde.

Esses fatores macro, combinados com a já alta penetração dos planos corporativos, apontam para um ambiente de crescimento provavelmente fraco para os beneficiários de planos de saúde no curto prazo.

Apesar da diminuição dos casos de Covid-19, que nos últimos trimestre aumentaram a MLR devido aos custos não recorrentes para tratar os pacientes infectados como vírus, esperamos que os custos de sinistros continuem em patamares elevados, acima da média histórica, devido ao impacto da inflação médica nos custos das operadoras e os recentes M&As.

Mesmo com um curto prazo desafiador, vemos boa oportunidade de longo prazo para o setor, principalmente para a Hapvida.

Hapvida

A Hapvida hoje é resultado da fusão da HapvidaCo e Notre Dame Intermédica (GNDI), que ocorreu em 22 de fevereiro de 2022. A empresa oferece planos de saúde e odontológicos para cerca de 8,5 milhões de beneficiários com foco na população de baixa/média renda por meio de um modelo semi-verticalmente integrado. A empresa tem presença nacional, com atuação em 19 das 27 capitais, abrangendo estados que respondem por 90% do PIB brasileiro. Atualmente, a empresa é a operadora nº 1 em beneficiários de saúde e a nº 2 em planos odontológicos, enquanto figura entre os três maiores grupos hospitalares do país, com 7 mil leitos distribuídos em seus 85 hospitais.

No modelo de semi-verticalmente integrado, a empresa aproveita sua rede própria de unidades de saúde para internalizar seus custos médicos. Dessa forma, a companhia consegue evitar serviços desnecessários e possíveis fraudes, que são amplamente vistos em todo o setor devido a interesses não alinhados entre pagadores e fornecedores. Isso permite que a empresa tenha um MLR menor quando comparada à média do setor e aos principais pares.

Com uma estrutura de custos mais baixa, a empresa consegue ser mais competitiva do que os pares, passando, assim, de cerca de 8,0% de market share em 2016 para mais que o dobro hoje, ganhando cerca de 5 p.p. em cada empresa (HAPV e GNDI) dividido quase uniformemente entre orgânico e M&A.

Estimamos que a HAPV vai ter um crescimento de cerca 8 % a.a. pelos próximos cinco anos, principalmente impulsionada pelo aumento dos números de benificiários, vendo 2 p.p. de ganhos de participação no mercado orgânico. Além disso, as sinergias da fusão provavelmente impulsionarão ainda mais o crescimento e o suporte da receita e o EBITDA.

A empresa prevê R$ 1,4 bilhão em sinergias da fusão anualizadas até o final do 3º ano da integração em 2024, o que representaria cerca de 15% de nossa projeção de EBITDA em 2025.

Vemos uma boa possibilidade de investimento em Hapvida. Os problemas mencionados anteriormente devem ser restritos ao curto prazo. Na visão de médio-longo prazo, estamos confiantes que a ampla presença nacional deve suportar um crescimento orgânico e inorgânico sólido, que se traduz em um bom retorno para os acionistas.

Evandro Buccini, sócio e diretor de Renda Fixa e Multimercados da Rio Bravo & Francesco Pasino, Analista de Renda Variável da Rio Bravo.

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