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Data

17/12/2021

Tempo de Leitura

5 minutos

Podcast 676 – Merari Ferrari: Na USP, um curso para quem quer pensar como um cientista

Podcast 676 – Merari Ferrari: Na USP, um curso para quem quer pensar como um cientista

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17/12/2021

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Não é exagero afirmar que todo mundo conhece o processo de seleção para ingressar na Universidade de São Paulo. Trata-se, afinal de contas, de um dos vestibulares mais concorridos do país. Só que nem todas as pessoas sabem da existência, na USP, de uma formação que integra interdisciplinaridade e inovação para uma comunidade de estudantes motivados a abordar problemas complexos do mundo através do poder da colaboração. Trata-se do curso de Ciências Moleculares, cujos egressos não apenas se encaminham para a chamada “ciência de bancada”, mas, cada vez mais, têm sido absorvidos pelo mercado financeiro e pelas empresas de tecnologia. Quem fala conosco a respeito das características do curso e conta detalhes acerca do processo de seleção é a professora Merari Ferrari, atualmente coordenadora do Curso de Ciências Moleculares da Universidade de São Paulo.

Logo em sua primeira participação, a professora Ferrari conta a origem do curso. A história da formação em Ciências Moleculares remonta ao início dos anos 1990, conforme a entrevistada revela logo a seguir: “O curso começou em 1991, durante a gestão do professor Lobo como reitor da USP. A ideia era formar pessoas que, ao entrar na universidade, querem ser cientistas. Naquela época, já existia essa demanda”. E aqui a professora Ferrari aproveita para pontuar um dos aspectos centrais dessa formação, a relação existente entre as unidades envolvidas, haja vista sua estrutura interdisciplinar. “Como veio da reitoria, essa proposta foi amplamente debatida com docentes dos institutos das unidades envolvidas”.

De acordo com a professora Ferrari, era comum que alunos do curso de Física também tivessem interesse em Biologia, mas, por ocasião do vestibular, tinham de optar por uma formação específica. O curso de Ciências Moleculares, portanto, veio contemplar esses interesses interdisciplinares.

Conforme dito anteriormente, o vestibular da USP é um dos principais do país. O curso de Ciências Moleculares está contemplado nesse exame? A professora explica: “Esse curso foi pensado para estudantes de qualquer unidade da USP, então, a entrada acontece via outro processo seletivo, de modo que é desvinculado do vestibular”. Em outras palavras, isso significa que o candidato a uma vaga na USP, seja via Enem, seja via Fuvest, não vai encontrar o curso de Ciências Moleculares entre os listados na ocasião da prova de ingresso. No entanto, uma vez que este candidato entre em qualquer unidade, fazendo parte de qualquer curso da USP, este estudante que tiver esse perfil de pesquisador, com formação de caráter interdisciplinar, pode concorrer a uma vaga em um processo seletivo com questões da área de ciência.

Em termos de estrutura, o curso se organiza em duas frentes, mais precisamente: o ciclo básico, durante o qual os alunos são expostos às disciplinas das ciências naturais e da matemática. Em seguida, os alunos têm de apresentar um projeto para o ciclo avançado. Merari Ferrari explica como se organiza a segunda etapa de estudos: “Primeiro, os alunos procuram um orientador (podendo este ser fora da USP e até mesmo fora do país), desenvolvem um projeto em qualquer área, inclusive nas áreas de Humanas”.

Uma das perguntas centrais a propósito da formação em Ciências Moleculares tem a ver com o destino dos egressos. Em um país que não parece ser o espaço mais seguro para pesquisadores mais qualificados, o futuro dos alunos do curso da USP tem caminhos diversos, conforme comenta a professora Merari Ferrari. Se, no início, eram formados os cientistas de bancada, atualmente existem pessoas que vão para grandes empresas.  “Os egressos vão especialmente para as áreas de tecnologia, programação e computação”.

Ao falar sobre o futuro do curso, a mensagem da professora Merari Ferrari se conecta com a premissa que tem pautado o curso de Ciências Moleculares ao longo dos 30 anos de existência. “Se você me perguntar como será o curso nas próximas duas décadas, eu não saberei responder. Nós modificamos o projeto pedagógico de acordo com as novas demandas dos alunos, do mercado e da sociedade”.

A entrevista completa da professora Merari Ferrari, coordenadora do curso de Ciências Moleculares da USP, está disponível no link acima.

Fabio Silvestre Cardoso é jornalista e produtor do Podcast Rio Bravo

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