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Data

07/01/2022

Tempo de Leitura

5 minutos

Podcast 679 – Douglas de Freitas: As muitas vidas de Abdias Nascimento em exposição no Inhotim

Podcast 679 – Douglas de Freitas: As muitas vidas de Abdias Nascimento em exposição no Inhotim

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07/01/2022

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Abdias Nascimento teve várias vidas: foi escritor, político, professor universitário, pan-africanista, além de ter sido oficialmente indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Não é por acaso, portanto, o instituto Inhotim, que o museu de arte contemporânea e Jardim Botânico localizado em Brumadinho, Minas Gerais, decidiu sediar a mostra “Abdias Nascimento e o Museu de Arte Negra”, projeto que compreende quatro atos a serem realizados nos próximos dois anos – e que se inicia com a exposição: “Primeiro Ato: Abdias Nascimento, Tunga e o Museu de Arte Negra”. Na entrevista que abre a temporada 2022 do Podcast Rio Bravo, Douglas de Freitas, curador do Inhotim, fala sobre os desafios que envolveram a montagem da exposição (em curadoria conjunta com a IPEAFRO) e comenta a importância da representatividade no campo das artes. 

Logo no começo da entrevista, quisemos saber a propósito da dificuldade envolvendo uma curadoria conjunta, tendo em vista as especificidades dessa exposição. A despeito de contar com vasta experiência em exposições de arte contemporânea, o Inhotim abriga a obra de Abdias Nascimento pela primeira vez. Falar em “estranhamento”, um conceito afeito ao universo das artes e que remete à fricção e algum confronto, é natural. Ainda assim, será que isso representou um empecilho em algum momento? O curador do Inhotim responde: “Nós tivemos algumas longas conversas de como chegar em um modelo de trabalho que garantissem decisões que fossem unanimes. Ou seja, o projeto não poderia seguir adiante se houvesse se nós tivéssemos uma proposta que o IPEAFRO não concordasse e, do mesmo modo, se eles tivessem uma proposta com a qual nós não concordássemos. Foi assim que se construiu esse projeto – como uma construção coletiva”. 

E, de fato, essa construção coletiva a que se refere Douglas de Freitas ganha corpo principalmente com a presença de um artista plástico que já faz parte da história do Inhotim. Trata-se de Tunga, cuja obra tem destaque no equipamento cultural de Brumadinho. Para além dessa conexão estética, existe um componente de afeto, ao qual o entrevistado do Podcast Rio Bravo fala a respeito no trecho a seguir. “O link conceitual que nós pensamos estabelece essa conexão entre Abdias Nascimento e Tunga. Em conversas com o IPEAFRO, nós encontramos vários registros do Tunga com Abdias, as histórias que Elisa Larkin Nascimento (presidente do Ipeafro e viúva de Abdias) nos contou, de quando Tunga falava para Abdias a respeito da criação de Inhotim”. Conforme explica Freitas, Tunga é uma figura muito presente em Inhotim desde a sua fundação. E não é por coincidência, portanto, que a primeira galeria do museu, True Rouge, está próxima da Galeria Mata, que recebe a exposição de Abdias Nascimento. 

Ao destacar o percurso da exposição, Douglas de Freitas leva o ouvinte a conhecer o que o ouvinte que se interessar em visitar a mostra vai encontrar. “Nesse primeiro ato, nós definimos algumas diretrizes do projeto, então, trazemos a relação entre Abidas e Tunga com uma pequena seleção de obras desses artistas com o objetivo de introduzir o Museu de Arte Negra no contexto do Inhotim”. Nesse sentido, o entrevistado explica as articulações sugeridas pela curadoria: “Nós temos duas mitologias ali: a do Abdias, com os Orixás; e a do Tunga, que ele cria para as suas obras. Existem, assim, as simbologias adotadas por esses artistas, que se cruzam. E foi nosso objetivo pontuar esses momentos. A beleza aqui está na conexão entre as duas produções”. 

Ao comentar a importância de artistas que estavam (e ainda estão, em muitos casos) sub-representados nas galerias e nos museus, Douglas de Freitas observa que este é o momento de reconhecer a ausência desses artistas e de incorporá-los às coleções. “A apreciação da obra também se dá pelo choque. Nós precisamos lidar com essa diferença, haja vista que a nossa cabeça está formada para olhar a arte pelos cânones ocidentais. O estranhamento, nesse caso, é saudável, pois coloca em xeque nossos conhecimentos consolidados sobre arte.” 

A entrevista completa de Douglas de Freitas, curador do Inhotim, está disponível a partir do link acima.

Fabio Cardoso é jornalista e produtor do Podcast Rio Bravo.

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