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Data

24/09/2021

Tempo de Leitura

5 minutos

Podcast 664 – Alexandre Ostrowieck: A trajetória da Multilaser: da reciclagem de cartuchos ao IPO

Podcast 664 – Alexandre Ostrowieck: A trajetória da Multilaser: da reciclagem de cartuchos ao IPO

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24/09/2021

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Fundada em 1987, a Multilaser primeiramente se estabeleceu ao trazer, de forma pioneira na América Latina, a técnica de reciclagem de cartuchos. De lá para cá, muita coisa aconteceu, e a Multilaser de 2021 é, nas palavras do CEO, Alexandre Ostrowieck, uma companhia robusta, diversificada, com produtos de consumo em diversas categorias. Em julho deste ano, a Multilaser captou 1,9 bilhão de reais num movimento que aconteceu antes da oscilação recente da bolsa. Ao Podcast Rio Bravo, Alexandre Ostrowieck fala sobre a atuação da companhia e comenta os desafios que a Multilaser tem pela frente.

Logo no começo da entrevista, Ostrowieck conta os primeiros movimentos da companhia, muito antes do IPO. “O negócio era comprar cartuchos vazios, encher de tinta e vender. E a Multilaser comercializava junto às papelarias em todo o território nacional. Agora, em 2021, chegamos com produtos de consumo de diversas categorias. Mais de 30 marcas no nosso portfólio, com mais de cinco mil produtos e, atualmente, uma das 100 maiores empresas do país”.

O desenvolvimento da companhia faz com que a internacionalização esteja em linha com a estratégia Multilaser. Nas palavras do executivo: “A internacionalização é um movimento recente da nossa empresa, coisa de um ano. Inicialmente, nós desembarcamos na Argentina e no Uruguai com portfólio Multilaser para atacar esses mercados. Trouxemos uma diretoria específica para a internacionalização e agora nós estamos trabalhando distribuidores, abrindo mercado especialmente na América Latina, na África e na Europa”.

Perguntado se este é o melhor momento para investir no processo de internacionalização, tendo em vista o fato de que muitas empresas da área de tecnologia têm saído do país, Alexandre Ostrowieck observa que nada impede que o ganho em market share no Brasil aconteça ao mesmo tempo em que a internacionalização ocorra. “Nós vemos o câmbio relativamente fraco, favorecendo exportações brasileiras; nós vemos, ainda, o público globalmente muito ávido para comprar produtos bom, bonito e barato, numa compra inteligente e econômica, e esse é exatamente o perfil da Multilaser”.

IPO e conjuntura econômica

Ao falar sobre o IPO, Alexandre Ostrowieck ressalta que o resultado atendeu às expectativas da empresa. “Ficamos muito gratos pela confiança dos investidores. O IPO significa, basicamente, duas coisas. De um lado, injeção de capital no caixa da empresa, lembrando que, no caso da Multilaser, foi 100% primário, de modo que os sócios não venderam nenhuma ação, mas nós trouxemos novos investidores do mercado para reforçar o caixa da empresa. De outro lado, existe um aspecto subjetivo/moral: uma pequena recicladora de cartucho que começou em uma salinha em São Paulo consegue, hoje, ter a confiança de fundos globais de investimento muito prestigiosos e fundos brasileiros que acreditam em nós, sabendo que vamos dar retorno.”

O executivo reconhece que este instante já não é mais tão favorável para que as empresas façam IPOs. Exatamente por isso, ele exalta a decisão da Multilaser: “A questão macro torna o momento muito mais desafiador. A bolsa caiu bastante desde então – não é com a Multilaser; tem a ver com o mercado. Nós fizemos a coisa certa na hora certa. E somos muito gratos e felizes por isso”, comenta.

A propósito do momento mais sensível do mercado, Alexandre Ostrowieck analisa com cautela a conjuntura econômica do país em tempos de retomada das atividades presenciais, sem descuidar das tensões políticas no país. “Nós vemos a desarmonia entre os poderes como algo muito preocupante. O Executivo em descompasso com o Legislativo significa uma pauta bem mais travada de aprovações, assim como o Judiciário em franca guerra com o Executivo é, também, um fator preocupante. Por outro lado, tem bastante coisa legal andando, num ritmo que não existia antes, como aconteceu com privatização da CEDAE, a possível privatização dos Correios, da Eletrobras, o marco do saneamento.”

Ao final da entrevista, quisemos saber se, do ponto de vista da gestão, existe algo que a Multilaser pretende mudar, agora que a empresa vive este novo momento. Foi a deixa para que Alexandre Ostrowieck fizesse uma defesa da cultura organizacional da companhia que preside. “Nós temos um jeito Multilaser de ser, que resume o que queremos do colaborador. Uma empresa muito simples, com as pessoas atuando com responsabilidade, com humildade, com liberdade; de forma flexível e muito colaborativa. Nós valorizamos a sinceridade, falando a real do que acontece, decidindo com muita autonomia. Eu não acho que o IPO vai mudar isso. Nós queremos intensificar essa cultura, investir nela. No final do dia, a parte mais importante das empresas é a cultura. Todo o resto pode ser copiado. Agora, a cultura é muito importante desenvolver porque vai fazer a empresa vencer no final”. 

A entrevista completa de Alexandre Ostrowieck ao Podcast Rio Bravo pode ser acessada a partir do link acima.

Fabio Silvestre Cardoso é jornalista e produtor do Podcast Rio Bravo.

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